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Servidores da segurança pública são demitidos por corrupção após operação Codicia

A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp) publicou, nesta terça-feira (5), a demissão de cinco servidores da segurança pública condenados por corrupção. Os exonerados são dois delegados, um escrivão, um investigador e um perito, todos alvos da Operação Codicia, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em abril de 2022.

De acordo com o Diário Oficial do Estado, foram oficialmente desligados: os delegados Patrick Linares da Costa e Rodrigo Blonkowski, o escrivão Jonatas Pontes Gusmão, o investigador Márcio André Molina Azevedo e o perito Rogério Insfran Ocampos.

As demissões foram determinadas após decisão da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que em 2024 anulou sentenças de absolvição em primeira instância e agravou as penas dos envolvidos.

Durante as investigações, o Gaeco revelou que as 1ª e 2ª Delegacias de Polícia de Ponta Porã foram transformadas em verdadeiros “balcões de negócios”, onde servidores cobravam propina para liberar veículos apreendidos na fronteira com o Paraguai.

A investigação mostrou que os envolvidos atuavam em conluio com seguradoras, locadoras e outras partes interessadas na liberação rápida de veículos. O esquema foi liderado, segundo o Gaeco, pelo policial aposentado Valdenei Peromale, que controlava o pátio das delegacias e recebia os pagamentos — 237 transações bancárias não identificadas, somando R$ 184,7 mil — repassando os valores a demais integrantes do grupo.

As penas aplicadas a Patrick, Jonatas, Márcio e Rogério foram de 8 anos, 5 meses e 20 dias de reclusão, em regime fechado, além de 66 dias-multa. Já Rodrigo Blonkowski recebeu sentença de 11 anos, 8 meses e 20 dias de prisão, com 96 dias-multa.

Blonkowski também foi condenado por peculato, acusado de utilizar um veículo cautelado da Polícia Civil para se deslocar de Ponta Porã a Corumbá, onde havia atuado anteriormente. Neste caso, a pena de 2 anos foi substituída por prestação de serviços comunitários.

Inicialmente, os envolvidos haviam sido absolvidos em agosto de 2023 pelo juiz Marcelo Guimarães Marques, da 2ª Vara Criminal de Ponta Porã. A decisão absolveu Patrick, Márcio, Rogério, Rodrigo, Adriana Jarcem e Mauro Ranzi. Outros réus, como Jonatas Pontes Gusmão e Valdenei Peromale, foram condenados por corrupção passiva, enquanto dois empresários foram sentenciados por corrupção ativa.

Em 2024, no entanto, o Tribunal de Justiça anulou as absolvições e proferiu novas condenações com penas mais severas, com base nas provas reunidas durante a Operação Codicia.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque, dois dias após a deflagração da operação, o delegado Patrick Linares seria empossado como juiz substituto no Tribunal de Justiça de MS, após aprovação em concurso público. Porém, diante das investigações, seu nome foi retirado da lista de nomeações.

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