Réu em diversos processos por crimes sexuais, o ex-motorista de aplicativo Adriano da Silva Vieira, de 41 anos, teve novo pedido negado pela Justiça de Mato Grosso do Sul. A defesa solicitava a realização de exame psiquiátrico para avaliar a sanidade mental do acusado, alegando que ele não poderia ser responsabilizado criminalmente por possíveis transtornos mentais.
A solicitação foi feita no âmbito de um dos casos mais graves que envolvem Adriano: o estupro de uma adolescente. O processo corre sob sigilo, mas informações da tramitação revelam que os advogados buscavam a abertura de um “incidente de insanidade mental”. Com isso, esperavam que uma perícia oficial fosse realizada para verificar se o réu era inimputável — ou seja, incapaz de compreender o caráter criminoso de seus atos ou de se controlar.
Para embasar o pedido, foram apresentados laudos de outros processos que também apuram crimes sexuais cometidos por ele. No entanto, o juiz responsável entendeu que os documentos não demonstram qualquer ligação com o caso em questão, nem trazem indícios concretos de distúrbio mental no momento do crime.
O magistrado ressaltou ainda que cada processo deve ser analisado isoladamente e que provas obtidas em outros casos não se aplicam automaticamente. Embora tenha recusado o pedido, permitiu que os laudos anexados permaneçam nos autos como documentação complementar. Ele também não descartou a possibilidade de uma nova avaliação durante o julgamento, caso surjam evidências mais claras.
A audiência de instrução e julgamento foi marcada para o dia 26 de setembro de 2025, às 14h15. Nessa fase, está previsto o depoimento especial da vítima, com acompanhamento técnico, conforme exige a legislação em casos que envolvem menores de idade.
Prisão e outros crimes
Adriano foi preso em junho de 2022 após a denúncia de uma funcionária pública de 28 anos, que conseguiu escapar de uma tentativa de estupro durante uma corrida por aplicativo em Campo Grande.
A vítima relatou que havia chegado de viagem por volta das 4h30 e solicitado uma corrida para sua casa, no bairro São Francisco. Durante o trajeto, o motorista encerrou a viagem no aplicativo antes mesmo de iniciá-la, desviou da rota e passou a dirigir por ruas pouco iluminadas.
Desconfiada, a passageira ligou para o marido e permaneceu em contato por telefone. Foi então que Adriano tentou atacá-la, forçando um ato sexual e arranhando seu rosto. A mulher conseguiu abrir a porta e se jogou do veículo em movimento, fugindo pela janela.
Ela acionou a Polícia Militar e o agressor foi preso. Inicialmente, negou o crime, mas dias depois confessou os abusos, alegando estar sob efeito de pasta-base de cocaína.
Segundo a delegada Elaine Benicasa, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), outras duas mulheres já haviam denunciado o suspeito por importunação sexual, incluindo uma adolescente.
Adriano usava um mesmo padrão de abordagem: desviava do trajeto, forçava contato físico e ameaçava as passageiras. Em depoimento, confessou que chegou a se masturbar na frente das vítimas. Os primeiros boletins de ocorrência foram registrados nos dias 29 e 30 de maio de 2022.
Após os casos virem à tona, a Uber informou que a conta de Adriano foi desativada da plataforma.