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Operação nacional desmantela fábrica clandestina de anabolizantes ligada a influenciadores; “Pobre Loco” é alvo em MS

Uma organização criminosa especializada na produção e distribuição ilegal de anabolizantes e remédios emagrecedores foi alvo de uma megaoperação deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo nesta semana. O esquema, que utilizava embalagens com aparência profissional e promessa de qualidade internacional, escondia uma realidade perigosa: os produtos eram fabricados em fundos de quintal, com matéria-prima importada do Paraguai e da China, sem qualquer controle técnico ou autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A investigação, que durou cerca de um ano e meio, resultou na prisão de 32 pessoas e no cumprimento de 85 mandados de busca e apreensão em 12 estados. Entre os alvos da operação está o influenciador sul-mato-grossense Renato dos Santos Lopes, conhecido como “Pobre Loco”. Ele teve a casa revistada na manhã de terça-feira (5), no Bairro Parati, em Campo Grande. No local, foram apreendidos frascos de anabolizantes e seu celular pessoal. Renato foi ouvido pelas autoridades e liberado em seguida, afirmando que apenas divulgava os produtos.

Segundo o delegado Ronald Quene, da 1ª Cerco (Central Especializada de Repressão ao Crime Organizado), a quadrilha investia pesadamente em marketing, utilizando influenciadores digitais para promover os produtos. “Eles tratavam essa marca clandestina como se fosse uma empresa legalizada, com slogan, identidade visual bem feita e ampla divulgação nas redes sociais, o que gerava credibilidade entre os consumidores”, explicou o delegado.

A movimentação financeira da organização girava em torno de R$ 25 milhões, conforme apontaram quebras de sigilo bancário e digital. A venda era feita exclusivamente pela internet, sem necessidade de receita médica, e o produto chegava aos compradores como se fosse mercadoria de alto padrão. Entretanto, os itens eram fabricados em imóveis alugados, sem qualquer estrutura ou fiscalização sanitária.

Durante a investigação, policiais civis se infiltraram como clientes para obter provas. A estrutura criminosa era ampla, com laboratórios, depósitos e vendedores espalhados em diversos estados brasileiros. Três dos principais líderes do grupo são naturais de São José dos Campos (SP), e dois deles foram capturados no Paraguai.

Mesmo com mais de uma década de atuação, a marca jamais obteve autorização para operar legalmente. De acordo com a Polícia Civil, os envolvidos usavam o poder de influência nas redes sociais para atrair consumidores e burlar a fiscalização, colocando em risco a saúde pública.

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