Em alusão a campanha do Agosto Lilás, o Governo do Estado, usa como estratégia imagens e frases fortes, que possam impactar a sociedade, espalhando assim, o combate e prevenção à violência contra a mulher. Banners, adesivos, busdoors e cartazes, trás rostos de diferentes mulheres e suas reações, com a frase “violência contra a mulher: ignorar faz de você cúmplice”.
A intenção é exatamente dar destaque ao tema. “Precisamos chamar a atenção para esse problema. Usar a palavra ‘cúmplice’ funciona porque coloca o dedo na ferida. Tem que incomodar. Tem que impactar. Tem que sair da zona de conforto”, defende a subsecretária de Políticas Públicas para a Mulher, Cristiane Sant’anna de Oliveira.
O programa “Maria da Penha vai às Escolas”, que vai chegar aos 190 mil alunos da REE (Rede Estadual de Educação) e suas famílias. Os professores serão capacitados para trabalhar o tema de forma permanente, não apenas em agosto.
Como denunciar – Mato Grosso do Sul conta com uma rede de proteção às mulheres vítimas de violência. Para fazer denúncia anônima, basta ligar para o telefone 180. Para acionar a polícia, tem também o telefone 190. O Disque 100 recebe denúncias relativas a violações de Direitos Humanos, como os relacionados às crianças e adolescentes. O Estado conta ainda com 30 Salas Lilás, dedicadas exclusivamente para atender mulheres, adolescentes e crianças vítimas de violência doméstica ou sexual ou em situação de vulnerabilidade.
Cúmplice
Doutor em Letras, na área de Estudos de Literatura, e especialidade em Literatura Comparada, o professor da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) Paulo Henrique Pressotto explica que a frase usada na campanha é impactante e não está imune a críticas.
“A palavra ‘cúmplice’ não foi colocada à toa. Por isso, a frase vai chamar atenção, causar burburinho, pois é impactante! A palavra é um signo e traz consigo seu significado que se torna potencializado/destacado na frase. No dicionário da Língua Portuguesa, a primeira acepção está clara: ser cúmplice é contribuir – de forma secundária – para a realização de um crime. De maneira informal, a palavra aplicada em outros contextos pode apresentar outras nuances”, explicou.
Na avaliação dele, a frase foi construída no intuito de causar impacto ao leitor e chamar a atenção desse sujeito (ou sujeitos) para essa problemática: a violência contra as mulheres. No entanto, a frase poderá sofrer críticas de pessoas ligadas à área jurídica, devido ao seu sentido denotativo e técnico. Para Paulo Pressotto, pessoas “vão implicar”. “Não tem como não fugir das críticas. Vão dizer que a pessoa é omissa, mas não é cúmplice, e aí entra uma questão de interpretação”, finalizou.
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