O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) restabeleceu as prisões do major Gilberto Luis dos Santos e do sargento Manoel José Ribeiro, o Manelão, ambos da reserva da PM (Polícia Militar). Os dois são réus na Operação Successione, que investiga organização criminosa armada e exploração do jogo do bicho.
A decisão da 1ª Câmara Criminal também determinou a prisão preventiva de Valnir Queiroz Martinelli e Wilson Souza Goulart, além de converter em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico a medida aplicada a José Eduardo Abdulahad, devido ao seu quadro de saúde.
Em outubro de 2023, Gilberto e Manoel foram flagrados em um imóvel no Bairro Monte Castelo, em Campo Grande, onde foram apreendidas 700 máquinas de apostas.
Gilberto, além de policial da reserva, trabalhava na Assembleia Legislativa, no gabinete do deputado estadual Neno Razuk (PL) desde 2019. O parlamentar é apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) como um dos líderes do esquema.
Apesar de conduzidos à delegacia na ocasião, os militares foram liberados, mas em dezembro do mesmo ano passaram a ser alvos formais da Operação Successione.
No recurso, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) defendeu a necessidade de manter os acusados presos para garantir a ordem pública, assegurar a instrução processual e aplicar a lei penal, diante da gravidade dos crimes investigados.
Segundo o órgão, os réus integrariam uma organização criminosa estruturada e violenta, voltada a tomar o controle do jogo do bicho local. A denúncia cita três roubos qualificados registrados em 16 de outubro de 2023, com uso de pistolas, veículos e ação de vários agentes.
O relator do processo, desembargador Jonas Hass Silva Júnior, acolheu os argumentos do Ministério Público:
“A gravidade concreta dos fatos narrados na denúncia e detalhados nas investigações revela, de forma clara, a periculosidade dos recorridos e o risco efetivo à ordem pública.”
O advogado Rhiad Abdulahad, que representa os réus, contestou a decisão:
“Confiamos na Justiça de Mato Grosso do Sul e, apesar da decisão, entendemos que não havia motivos para retornarem à prisão. Continuaremos na luta pela liberdade de todos, tendo em vista que ficou claramente demonstrada a inocência durante a instrução processual.”
O processo da Operação Successione está na fase de elaboração da sentença. O deputado Neno Razuk nega envolvimento com o esquema.
O TJMS já havia determinado anteriormente o restabelecimento das prisões de Mateus Aquino Júnior, Julio Cezar Ferreira dos Santos, Diego de Sousa Nunes e Edilson Rodrigues Ferreira.
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