Lyferson Barbosa da Silva, apontado como líder de ataques contra escolas, hospital e até o Detran de Pernambuco, voltou a ser alvo de mandados nesta quinta-feira (27) em Mato Grosso do Sul. Condenado pelo assassinato do médico cardiologista Artur Eugênio de Azevedo, ele está preso desde 2024 na Penitenciária Federal de Campo Grande e é investigado na nova etapa da Operação Efeito Helicóptero, que desmantela uma quadrilha responsável por movimentar R$ 500 milhões em um ano por meio de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
A ofensiva no MS foi coordenada pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) e ocorreu em Campo Grande, Corumbá e Mundo Novo. Dentro do presídio federal, policiais cumpriram mandado de prisão temporária e de busca e apreensão contra Lyferson. Em Corumbá, foram duas prisões e duas buscas, enquanto em Mundo Novo houve mais uma prisão temporária e outra busca.
Lyferson cumpre pena de 26 anos e quatro meses pelo homicídio de Artur Eugênio, morto a tiros em 2014. Também é investigado por ordenar ataques incendiários contra prédios públicos em Pernambuco em 2023, mesmo de dentro do Presídio de Igarassu, onde utilizava celulares para chefiar uma organização criminosa. A atuação motivou sua transferência para o sistema penitenciário federal.
Em uma das interceptações telefônicas que embasaram investigações anteriores, Lyferson determinava que comparsas atacassem repartições públicas, incendiassem veículos e até matassem pessoas, numa tentativa de pressionar mudanças na Secretaria de Defesa Social.
O crime que levou à condenação
O cardiologista Artur Eugênio foi encontrado morto às margens da BR-101, em 2014. O Ministério Público apontou que a morte foi motivada por um desentendimento profissional com Cláudio Amaro Gomes, condenado a 34 anos e quatro meses como mandante. As investigações revelaram que Cláudio Júnior pagou Jailson Duarte César, que contratou Lyferson e Flávio Braz para executar o médico.
Primeiras fases da operação
Deflagrada em 2023, a primeira fase da Operação Efeito Helicóptero mirou 66 suspeitos em 20 estados e revelou movimentação de R$ 500 milhões entre 2021 e 2022. Na época, houve bloqueios de bens, apreensão de criptomoedas, sequestro de veículos e imóveis e recolhimento de quase 3,6 mil munições de fuzil.
Na ocasião, 19 mandados foram cumpridos em unidades prisionais de Pernambuco, incluindo contra Lyferson. O nome da operação faz referência à expressão usada na Espanha para descrever lavagem de dinheiro quando o rastro dos recursos “desaparece” dos olhos dos investigadores.
A nova fase da ofensiva ocorre simultaneamente em MS, Pernambuco, Paraná, São Paulo, Rondônia e Minas Gerais.
Outro alvo de investigação
Em fevereiro deste ano, Lyferson também foi alvo da Operação La Catedral, da Polícia Federal, que apura corrupção e tráfico de drogas dentro de presídios. Na ocasião, foram cumpridas nove prisões preventivas e 12 buscas, além de afastamentos de policiais penais e sequestro de bens. Entre os presos estavam um ex-diretor do Presídio de Igarassu e servidores penitenciários suspeitos de integrar o esquema.
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