Mesmo após o pagamento de 50% dos salários atrasados, a greve geral dos motoristas de ônibus de Campo Grande está mantida e tem início nesta segunda-feira (15). A paralisação deve atingir diretamente mais de 100 mil usuários do transporte coletivo da Capital. A informação foi confirmada neste domingo (14) pelo STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande), enquanto os ônibus ainda operavam normalmente.
A decisão de deflagrar a greve foi tomada na última quinta-feira (11), durante assembleia que reuniu mais de 200 motoristas que não receberam integralmente os salários previstos para o dia 5 de dezembro. Na sexta-feira (12), o Consórcio Guaicurus informou ter efetuado o pagamento de metade dos valores em atraso, mas o repasse parcial não foi suficiente para suspender o movimento grevista.
O presidente do sindicato, Demétrio Freitas, afirmou que a frota ficará totalmente parada a partir de segunda-feira e só retornará após a quitação integral dos débitos. Segundo ele, caso sejam pagos os salários referentes ao mês de novembro, já em atraso, além da segunda parcela do 13º salário e do vale, o serviço poderá ser normalizado já na terça-feira (16). Caso contrário, a retomada das atividades seguirá condicionada ao pagamento desses vencimentos.
A paralisação deve provocar impactos significativos na rotina da população. Dados do Consórcio Guaicurus indicam que, em agosto do ano passado, o sistema transportou uma média mensal de 3.248.211 passageiros. Já o 32º Perfil Socioeconômico do Município, divulgado pela Planurb em agosto de 2025 com base em dados de 2023, aponta média diária de 116.166 passageiros, em cerca de 72 mil quilômetros rodados por dia.
Em paralisações anteriores, os reflexos foram imediatos. A mais recente ocorreu em 22 de outubro, após atraso de 47 horas no pagamento do vale. Na ocasião, os ônibus só saíram das garagens a partir das 6h, surpreendendo principalmente usuários das primeiras linhas da madrugada.
Além dos transtornos no transporte coletivo, a greve provocou aumento expressivo nos preços das corridas por aplicativo. Um exemplo registrado naquele dia foi uma corrida entre a Vivenda do Bosque e o Residencial Mário Covas, que saltou de R$ 30, em dias normais, para R$ 77,20. O trânsito também ficou congestionado em diversos pontos da cidade, especialmente nos acessos dos bairros à região central.
O impasse ocorre em meio a divergências públicas entre o consórcio e a Prefeitura de Campo Grande. A concessionária atribui a crise financeira à inadimplência do poder público, enquanto o município afirma que os repasses estão em dia, incluindo a antecipação de 57% da subvenção referente ao mês de novembro.
Em nota, o Consórcio Guaicurus informou que os recursos disponíveis foram destinados prioritariamente ao pagamento da folha salarial e a despesas essenciais para a manutenção da operação, como combustível e manutenção da frota. A empresa alegou ainda que todas as linhas de crédito estão comprometidas, o que dificulta a obtenção imediata de novos recursos, mas afirmou trabalhar para quitar o restante dos salários o mais breve possível.
Já a Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados) contestou a justificativa financeira apresentada pelo consórcio, classificou a greve como sem fundamento e indicou a possibilidade de o movimento ser considerado ilegal.
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