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Justiça Federal mantém prisão preventiva de policial do Garras preso com R$ 130 mil em propina

A Justiça Federal manteve a prisão preventiva do policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, integrante do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), preso pela Polícia Federal com dinheiro de propina ligado ao contrabando. A decisão foi proferida pela juíza Franscielle Martins Gomes Medeiros, da 5ª Vara Federal de Campo Grande, que voltou a negar habeas corpus apresentado pela defesa.

O pedido de liberdade já havia sido rejeitado durante o recesso forense e foi novamente indeferido com a retomada dos trabalhos do Judiciário. Na decisão, a magistrada reforçou os argumentos da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, que aponta o policial como responsável por vender cigarros eletrônicos apreendidos ao ex-guarda municipal Marcelo Raimundo da Silva, investigado por crimes de contrabando e descaminho.

Segundo a juíza, além do valor recebido na negociação, Augusto chegou a relatar que mantinha outros R$ 20 mil em seu veículo, quantia que seria entregue a Marcelo para que ele trouxesse aparelhos celulares do Paraguai. Para Franscielle, a gravidade concreta da conduta justifica a manutenção da prisão preventiva. “Quaisquer medidas cautelares diversas da prisão seriam insuficientes para salvaguardar a paz social”, destacou na decisão.

O flagrante ocorreu no dia 28 de novembro de 2025, quando a Polícia Federal interceptou a transação em um estacionamento de supermercado, em Campo Grande. De acordo com a investigação, Marcelo Raimundo teria efetuado o pagamento de cerca de R$ 160 mil ao policial civil. A ação foi desencadeada após denúncia anônima indicando que uma mulher realizaria um saque bancário para pagamento de propina relacionada a atividades de contrabando.

Augusto Torres Galvão Florindo é casado com a ex-promotora de Justiça Luciana Schenk, que atuou por anos como diretora do Gacep (Grupo Especializado no Controle Externo da Atividade Policial) no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). A ligação reacendeu debates sobre conflitos éticos, já que Luciana chefiou investigações sobre abusos cometidos por forças de segurança e deixou o cargo em julho de 2024, cerca de um ano e meio antes da prisão do marido.

Durante interrogatório na Polícia Federal, Augusto confessou o desvio das mercadorias e afirmou que o dinheiro recebido era proveniente da venda de produtos contrabandeados, oriundos de apreensões realizadas em abordagens policiais. Questionado sobre a motivação para o recebimento da propina, respondeu de forma sucinta: “Acontece”.

O policial também relatou que, no momento da abordagem da PF, pensou que se tratava de um assalto, já que o ex-guarda municipal havia sido vítima de roubo anteriormente. Ele disse ainda estar arrependido e minimizou os ganhos financeiros, alegando que receberia valores entre R$ 5 mil e R$ 7 mil.

Augusto Torres e Marcelo Raimundo passaram por audiência de custódia no dia 29 de novembro de 2025, quando a Justiça Federal converteu a prisão em flagrante em preventiva. No curso da investigação, também foi determinada a quebra do sigilo telefônico do policial civil.

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