Estudantes brasileiros de Medicina que cursam a graduação no Paraguai estão comercializando medicamentos emagrecedores de forma irregular como alternativa para custear as mensalidades da faculdade. Sem receio das consequências, segundo os próprios relatos, eles utilizam redes sociais para divulgar preços, receber encomendas e trazer os produtos contrabandeados ao Brasil durante férias, feriados ou períodos de folga.
Denúncias recebidas com exclusividade pelo Jornal Midiamax indicam que a prática começou no segundo semestre de 2025 e se intensificou nos últimos meses. Postagens feitas diretamente da região de fronteira destacam a diferença de preços, sem qualquer garantia sobre a procedência ou a segurança dos medicamentos.
O comércio clandestino é confirmado até por farmacêuticos locais, que relatam que muitos acadêmicos admitem levar os remédios ao Brasil para revenda. “É uma forma de se manter aqui estudando, daí se arriscam”, afirmou um funcionário de estabelecimento visitado pela reportagem.
Autoridades alertam que a prática, inicialmente enquadrada como contrabando, pode evoluir para crime contra a saúde pública, cuja pena pode chegar a 15 anos de prisão, especialmente por envolver medicamentos sem registro, sem receita médica e em desacordo com normas sanitárias.
Uma estudante de 34 anos, que cursa o 7º semestre de Medicina em Pedro Juan Caballero, relata que a venda virou algo comum entre os colegas. Segundo ela, há casos de estudantes presos durante fiscalizações em rodovias. “Virou uma febre. Postam no Instagram, fazem artes com as canetas, valores, tipos, e até explicam como aplicar”, contou.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que intensificou as fiscalizações nas rodovias de Mato Grosso do Sul e que, somente em 2026, mais de duas mil unidades de medicamentos já foram apreendidas — quase metade do total registrado em todo o ano de 2025. De acordo com o agente Fábio Sodré, após a apreensão, os produtos são encaminhados à Polícia Federal, e o responsável responde criminalmente.
O alerta ganhou ainda mais força após a Anvisa proibir, na quarta-feira (21), a comercialização, importação, distribuição e uso de medicamentos à base de tirzepatida e retatrutida, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras do Paraguai”. Segundo a agência, os produtos são fabricados por empresas desconhecidas, vendidos sem qualquer registro e não oferecem garantia de qualidade ou segurança, não devendo ser utilizados em nenhuma hipótese.

Foto: Reprodução
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