Moradora de Campo Grande denuncia divulgação de imagens íntimas e deepfake na internet

Uma moradora de Campo Grande procurou a polícia após descobrir que imagens íntimas suas estavam sendo divulgadas na internet. Parte do material, segundo ela, teria sido manipulada com uso de inteligência artificial para criar cenas falsas de nudez.

O caso foi registrado na tarde de quarta-feira (4) na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, como divulgação de cena de sexo ou pornografia com possível finalidade de humilhação ou vingança.

De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima contou que, na segunda-feira (3), foi avisada pelo cunhado de que um vídeo íntimo seu havia sido publicado em um site adulto. Ele teria enviado à mulher prints de conversas em um grupo no aplicativo Telegram, onde as imagens e vídeos estavam sendo compartilhados.

Ao analisar o material, a vítima reconheceu algumas fotos e vídeos, mas afirmou que outras imagens foram adulteradas. Segundo ela, fotografias em que aparecia vestida teriam sido manipuladas com uso de inteligência artificial para simular nudez.

A mulher suspeita que o responsável pela divulgação seja o ex-namorado. Conforme relatou à polícia, apenas ele tinha acesso aos vídeos íntimos. A vítima manifestou interesse em representar criminalmente contra o suspeito e foi orientada a procurar a Casa da Mulher Brasileira caso deseje solicitar medidas protetivas.

O episódio ocorre em meio ao aumento de denúncias envolvendo o uso de inteligência artificial para criar imagens íntimas falsas, técnica conhecida como deepfake.

Reportagem publicada pelo Campo Grande News, em 28 de fevereiro, revelou que imagens manipuladas de adolescentes estavam sendo vendidas dentro de uma escola particular da Capital por até R$ 50. O caso passou a ser investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij).

Na situação, três estudantes teriam alterado fotos de colegas utilizando inteligência artificial para inserir o rosto das meninas em imagens de nudez, oferecendo o material a outros alunos. A delegada Daniela Kades explicou que a legislação prevê responsabilização não apenas para quem cria as imagens, mas também para quem compartilha, armazena ou vende o conteúdo adulterado.

Segundo a polícia, pais e responsáveis devem guardar mensagens, prints e qualquer evidência digital e procurar uma delegacia para registrar ocorrência, já que conteúdos desse tipo podem ser apagados rapidamente da internet, o que pode dificultar a investigação.

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