Uma mulher trans de 29 anos, vítima de agressões brutais em Ponta Porã, relatou à polícia que acreditou que seria assassinada durante o ataque ocorrido na madrugada de sábado (14). Três suspeitos foram presos e tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.
Segundo depoimento, a vítima contou que estava em casa quando recebeu uma ligação para ir até uma residência receber pagamento por um serviço. Ao chegar ao local, foi convidada a entrar e levada até um escritório, onde passou a ser acusada de ter furtado objetos.
Ela afirmou que, nesse momento, começou a ser agredida por Leonardo Duarte, Jackson Tadeu Vieira e Laysa Carla Leite Machinsky.
“Eles me seguraram e começaram a me bater. Era soco, chute, tapa e pancada”, relatou.
De acordo com a vítima, Leonardo a segurou enquanto Jackson e Laysa a atingiam com socos, chutes, taco de sinuca e cabo de vassoura. Durante as agressões, os suspeitos tentaram amarrar suas mãos e pés com uma corda.
Ela contou ainda que um dos envolvidos encostou uma faca em seu pescoço e fez ameaças de morte.
“Ele disse que ia me matar e que iam me jogar no rodoanel. Eu lutei para não ser amarrada porque achei que iam me matar”, afirmou.
A vítima também relatou que feriu um dos dedos ao tentar afastar a faca e que chegou a vomitar sangue após receber golpes no estômago e na cabeça. Segundo o depoimento, os agressores destruíram seu celular com uma faca para impedir que ela pedisse ajuda.
Após conseguir fugir, ela procurou ajuda na rodoviária da cidade e foi orientada a registrar ocorrência na polícia.
Conforme o auto de prisão, o crime teria relação com um aborto ocorrido semanas antes. Segundo o documento, Laysa teria pago para que a vítima enterrasse o feto. No dia do ataque, os suspeitos teriam encontrado material genético guardado em um frasco dentro do escritório da casa.
Ainda de acordo com o registro policial, Jackson teria obrigado a vítima a cheirar o conteúdo do vidro, acusando-a de ser responsável pelo aborto.
Os três suspeitos negaram participação direta nas agressões, mas apresentaram versões consideradas inconsistentes pela polícia. Leonardo admitiu que deu socos na vítima e que a segurou enquanto os outros dois continuaram as agressões.
Jackson é estudante de medicina e filho de um oficial da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul que atualmente está na reserva.
O caso segue sob investigação.
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