Os investigadores Célio Rodrigues Monteiro e Edivaldo Quevedo da Fonseca, presos durante a Operação Iscariotes, foram dispensados das funções de confiança que ocupavam na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (20) e assinada pelo delegado-geral da corporação, Lupérsio Degerone Lúcio.
A operação foi deflagrada na última quarta-feira (18) pela Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil e investiga um grupo criminoso especializado na importação fraudulenta de eletrônicos de alto valor, que contaria com a participação de agentes de segurança pública para facilitar a distribuição das mercadorias.
Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, estava preso na delegacia de Sidrolândia e foi dispensado da função de chefe de seção da unidade onde atuava, cargo comissionado ligado à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública.
Edivaldo Quevedo da Fonseca, que trabalhava na 5ª Delegacia de Polícia Civil em Campo Grande, também foi exonerado da função de chefe de seção após ser preso em casa durante o cumprimento dos mandados. Segundo o Diário Oficial, ambos recebiam remuneração aproximada de R$ 14 mil mensais.
Operação Iscariotes
A investigação aponta que a organização criminosa atuava na importação irregular de eletrônicos sem documentação fiscal e sem a devida regularização junto aos órgãos aduaneiros. Após a entrada dos produtos no país, as mercadorias eram distribuídas para diversas cidades, principalmente em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
Em território sul-mato-grossense, foram cumpridos mandados em Campo Grande e Dourados, inclusive em delegacias e residências de policiais. Já em Minas Gerais, as ações ocorreram em Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros, locais que recebiam os eletrônicos contrabandeados.
Durante a operação, uma empresa ligada à mesma família investigada teve quatro lojas interditadas no camelódromo de Campo Grande.
De acordo com a investigação, o grupo utilizava veículos com compartimentos ocultos para transportar os produtos, que eram escondidos em meio a cargas lícitas para dificultar a fiscalização e facilitar a distribuição pelo país.