Foto: Reprodução / Agência Brasil

Dourados confirma 648 casos de chikungunya, quatro mortes e decreta emergência em saúde

Boletim divulgado nesta segunda-feira (23) pela Vigilância Epidemiológica aponta que o município de Dourados já soma 648 casos confirmados de chikungunya, número considerado preocupante pelas autoridades de saúde. Ao todo, são 1.426 notificações, com 576 exames ainda aguardando resultado.

Até agora, quatro mortes foram registradas em decorrência de complicações da doença, todas na Reserva Indígena, onde a epidemia teve início, mas que já apresenta avanço em bairros do perímetro urbano.

Diante do cenário, o prefeito Marçal Filho (PSDB) decretou situação de emergência em saúde pública na semana passada. A medida permite ampliar ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya e da dengue.

População deve ajudar a eliminar focos

Segundo a prefeitura, a principal orientação é eliminar qualquer recipiente que possa acumular água parada, já que os ovos do mosquito podem permanecer viáveis por até um ano, aguardando condições favoráveis para eclodir.

No sábado (21), representantes do município, do Governo do Estado e da Força Nacional do SUS concederam entrevista coletiva pedindo apoio da população no combate ao vetor. Uma força-tarefa da Secretaria Municipal de Saúde está em andamento na Reserva Indígena e também em bairros da cidade.

Equipamentos com larvicida serão usados

Ainda nesta semana chegam a Dourados as EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicida), que ajudam no controle do mosquito.

De acordo com o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli, o dispositivo atrai as fêmeas do mosquito para colocar ovos e as contamina com larvicida, que depois é levado para outros criadouros, impedindo o desenvolvimento das larvas.

Ele reforçou que a participação da população é essencial.
“Se olhar 10 minutos por semana a sua residência, consegue eliminar o vetor. Se tem mosquito na nossa casa, o foco está na nossa casa”, afirmou.

Bairros com mais focos

Entre as regiões com maior incidência estão:

  • Jardim dos Estados
  • Novo Horizonte
  • Jóquei Clube
  • Aldeias Jaguapiru e Bororó

Nesses locais, o avanço da doença é considerado mais preocupante pela Vigilância Epidemiológica.

Especialista alerta para gravidade da doença

O infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, referência nacional no estudo da doença, destacou que a chikungunya pode causar maior impacto no sistema de saúde do que outras arboviroses.

Segundo ele, pacientes podem precisar retornar várias vezes às unidades de saúde, o que aumenta a sobrecarga no atendimento.

“Pessoas com problemas articulares, idosos ou com doenças como diabetes, hipertensão ou doenças autoimunes podem desenvolver formas mais graves”, explicou.

O especialista também elogiou a decisão do município de decretar emergência antes do colapso da rede de saúde, o que permite agir com antecedência para evitar agravamento da situação.

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