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De prefeito a preso: trajetória de Alcides Bernal tem novo capítulo após crime em Campo Grande

Exatos 3.369 dias se passaram desde que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, deixou o Paço Municipal em 1º de janeiro de 2017 até ser levado ao Presídio de Trânsito, na Capital, na terça-feira (25) de março de 2026, suspeito de matar o fiscal tributário estadual
Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.

Radialista e advogado, Bernal é investigado por atirar contra o servidor público dentro da casa onde morava, imóvel que havia sido leiloado em 2025 por causa de dívidas de financiamento. O ex-prefeito tentava na Justiça reverter a perda do bem quando ocorreu o crime.

Conhecido pelo trabalho na mídia, Bernal construiu carreira política ao longo de duas décadas, mas estava afastado dos principais cargos públicos nos últimos anos e respondia a processos judiciais.

Do rádio para a política

Natural de Corumbá, Alcides Bernal ganhou notoriedade como radialista na Rede MS de Rádio e Televisão, onde apresentou programas na Rádio Cidade 97. A popularidade abriu caminho para a carreira política.

Em 2004, foi eleito vereador pelo PMN. Tentou vaga como deputado estadual em 2006, sem sucesso, mas voltou à Câmara Municipal em 2008 para o segundo mandato.

Em 2009, passou a apresentar o programa Balanço Geral MS, deixando a televisão no ano seguinte para disputar as eleições de 2010, quando foi eleito deputado estadual.

Prefeitura marcada por crises e cassação

Em 2012, já no PP, Bernal venceu a eleição para prefeito de Campo Grande no segundo turno, derrotando Edson Giroto, que era apontado como favorito.

O mandato foi marcado por conflitos com a Câmara Municipal de Campo Grande, denúncias administrativas e investigações. Em 12 de março de 2014, Bernal teve o mandato cassado sob acusação de irregularidades, incluindo compras sem licitação.

Durante o período de disputa judicial, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Gaeco, deflagrou a Operação Coffee Break, que afastou o então prefeito Gilmar Olarte.

Em decisão judicial de 25 de agosto de 2015, Bernal retornou ao cargo, mas enfrentou forte desgaste político e não conseguiu se reeleger em 2016.

Inelegibilidade e afastamento da política

Após deixar a prefeitura, a gestão de Bernal continuou sendo questionada na Justiça. Em 2018, ele foi considerado inelegível e ficou impedido de disputar eleição para deputado federal.

Nos últimos anos, o ex-prefeito se dedicava à advocacia e mantinha atuação fora da vida pública, até o episódio desta semana, que voltou a colocar seu nome no centro das atenções policiais e judiciais.

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