A Justiça Federal em Campo Grande concedeu liberdade provisória ao investigador da Polícia Civil Edivaldo Quevedo da Fonseca, preso no âmbito da Operação Iscariotes, que apura crimes de contrabando e corrupção passiva.
A decisão é do juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, da 5ª Vara Federal, que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares. O investigado foi alvo de mandado no dia 18 de março, junto com o também policial Célio Rodrigues Monteiro, o “Manga Rosa”, que já havia sido solto mediante fiança no dia 24 do mesmo mês.
Na decisão, o magistrado considerou que há indícios de participação de Edivaldo no esquema, mas entendeu que a manutenção da prisão não é necessária neste momento. As investigações apontam que o grupo, supostamente liderado por Clenio Alisson Tavares e Brendon Alisson Medeiros Tavares, atuava entre 2023 e 2025, com envolvimento de agentes públicos.
Segundo o processo, o policial teria facilitado atividades ilícitas e atuado no transporte de mercadorias contrabandeadas. Ele chegou a ser preso em flagrante em dezembro de 2024, quando transportava 193 celulares em um veículo, enquanto já cumpria medidas cautelares.
Apesar disso, o juiz destacou que a prisão dos principais líderes do grupo e o afastamento do investigado de suas funções reduzem o risco de continuidade das atividades criminosas. Também pesaram a favor do réu o fato de ser primário, possuir endereço fixo e não representar risco às investigações em andamento.
A soltura foi condicionada ao cumprimento de medidas cautelares, como pagamento de fiança equivalente a 10 salários mínimos, comparecimento periódico à Justiça, proibição de deixar o município sem autorização e de mudar de endereço, além da obrigação de não cometer novos crimes.
A decisão prevê ainda que o descumprimento das medidas pode resultar em nova prisão preventiva. Após o pagamento da fiança, o alvará de soltura foi cumprido.
Operação
A operação contou com cerca de 200 agentes da Polícia Federal, que cumpriram aproximadamente 90 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, prisões preventivas, afastamentos de função pública, suspensão de porte de armas e bloqueio de bens que somam cerca de R$ 40 milhões.
As investigações indicam um esquema envolvendo policiais civis e militares, da ativa e aposentados, para transporte de mercadorias ilegais, além de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos valores.
Afastamento
Edivaldo e Célio foram afastados compulsoriamente da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul no dia 23 de março, após perderem os cargos de chefia. A medida foi assinada pelo corregedor-geral Clever José Fante Esteves.
Na ocasião, também foram recolhidos arma funcional, carteira policial e acessos aos sistemas internos. Posteriormente, Célio foi transferido para funções administrativas na 1ª Delegacia de Campo Grande por 90 dias.
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