A Justiça de Mato Grosso do Sul aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réu um grupo de nove pessoas investigadas por envolvimento em fraudes em licitações no município de Terenos, a cerca de 30 quilômetros de Campo Grande.
A decisão é do juiz Valter Tadeu Carvalho, que apontou indícios suficientes para o recebimento da denúncia. Segundo o processo, o grupo seria liderado pelo empresário da comunicação Francisco Elivaldo de Souza, conhecido como Eli Souza, ligado ao grupo Impacto Mais. Ele foi denunciado por organização criminosa e quatro crimes de fraude em licitação — penas que, somadas, podem ultrapassar 40 anos de prisão em caso de condenação.
Além de Eli, também se tornaram réus:
O empresário Antônio Henrique Ocampos Ribeiro teve o processo arquivado a pedido do Ministério Público após o fim das investigações.
Atualmente, apenas Eli Souza e Francisco das Chagas seguem presos. Um pedido recente de liberdade apresentado pela defesa de Eli foi negado pela Justiça.
Nos autos, Eli Souza argumenta que a denúncia não detalha a suposta estrutura da organização criminosa, como hierarquia, divisão de tarefas ou obtenção de lucros. A defesa também sustenta ausência de provas robustas e pediu que a denúncia fosse considerada inepta, além da realização de perícia grafotécnica em documentos apontados como fraudados.
Outros réus também contestam as acusações. A defesa de Vanessa Guimarães afirma que não há fatos concretos que comprovem sua participação, alegando que a única menção seria uma declaração genérica do pai. Já Eudmar Rogers aponta que as acusações são genéricas e baseadas, em grande parte, em conversas extraídas de dispositivos eletrônicos.
A empresária Neide Rodrigues Ferreira também negou envolvimento e afirmou que as provas apresentadas são insuficientes para uma condenação. Os demais réus ainda não se manifestaram no processo.
Durante o período investigado, o grupo de comunicação Impacto Mais estava em processo de venda para o Ecossistema Dakila, ligado ao empresário Urandir Fernandes de Oliveira.
Apesar de o grupo Dakila ter negado vínculos com os investigados, uma nota jurídica confirmou a aquisição de empresas de comunicação pertencentes a Eli Souza. O processo de compra teria começado em dezembro de 2024, com a abertura da empresa Dakila Impacto Comunicação Ltda.
Posteriormente, a assessoria informou que Eudmar Rogers Nolasco chegou a atuar na Dakila no passado, mas foi desligado, conforme práticas de governança corporativa.
O caso segue em tramitação na Justiça.
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