Um gesto simples, mas fundamental para prevenir doenças e salvar vidas em instituições de saúde: a correta higienização das mãos. Conforme dados do Ministério da Saúde, a falta de higiene adequada contribui diretamente para a transmissão de infecções e doenças respiratórias.
Segundo o SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade), em 2025 foram registrados 105.873 óbitos por influenza e pneumonia em todo o país. No mesmo período, infecções por coronavírus causaram 2.550 mortes.
Em Mato Grosso do Sul, os números também preocupam: foram contabilizadas 1.376 mortes por influenza e pneumonia, além de 54 óbitos relacionados à covid-19.
Além de gripe e pneumonia, mãos contaminadas também podem disseminar doenças como conjuntivite, hepatite A, catapora e outras infecções.
“Este simples gesto pode reduzir em até 40% o risco de infecções, como gripe, diarreia e conjuntivite”, afirma a infectologista Cláudia Vidal.
As chamadas IRAS (Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde) continuam sendo um problema global, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Dados da entidade apontam que até 30% dos pacientes internados em UTIs podem ser afetados por infecções hospitalares. Em países de baixa renda, o risco pode ser até 20 vezes maior.
A OMS estima ainda que, até 2050, as infecções relacionadas à assistência à saúde poderão provocar até 3,5 milhões de mortes por ano.
Relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, divulgado em 2024, aponta melhora nos indicadores de infecção hospitalar no Brasil, mas reforça que o risco ainda é elevado.
Segundo o levantamento, grande parte das infecções da corrente sanguínea ocorre em UTIs. A densidade de incidência chega a 3,5 casos por mil em pacientes com cateter venoso central nas UTIs adultas e alcança 6,1 casos nas neonatais.
A pneumonia associada à ventilação mecânica também segue entre as infecções hospitalares mais frequentes.
Além do impacto à saúde, as infecções elevam os custos hospitalares. No Brasil, pacientes infectados podem gerar despesas até 55% maiores. Nos Estados Unidos, os prejuízos ultrapassam US$ 40 bilhões anuais, enquanto na Europa chegam a € 7 bilhões por ano.
A infectologista Cláudia Vidal também alerta para o uso inadequado de antibióticos.
“O uso inadequado de antibióticos pode implicar em resistência bacteriana, maior risco de efeitos colaterais e gerar custos desnecessários para o sistema de saúde”, destacou.
Dados da Anvisa mostram que pouco mais da metade dos serviços de saúde analisados possui Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos implantado, o que indica fragilidades no controle do uso desses medicamentos.
“Fortalecer as medidas de prevenção de infecções é imprescindível, em especial a higiene das mãos de forma adequada e oportuna”, concluiu a especialista.
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