Foto: Divulgação

Bebê indígena de 48 dias é a 10ª morte por chikungunya confirmada em Dourados

Um bebê indígena de apenas 48 dias de vida é a décima vítima fatal de chikungunya confirmada em Dourados. O óbito foi confirmado pelo COE, criado pela prefeitura para coordenar o enfrentamento da epidemia na Reserva Indígena e no perímetro urbano do município.

A criança morava na Aldeia Bororó e estava internada no HU-UFGD desde o dia 3 de maio, após ser levada por equipes de saúde que atuam na reserva.

A Reserva Indígena de Dourados é considerada o epicentro da epidemia. Entre fevereiro e abril de 2026, oito moradores morreram em decorrência da doença, entre eles homens de 73, 77, 55 e 29 anos, mulheres de 60 e 69 anos e dois bebês de 1 e 3 meses de idade. No perímetro urbano, um homem de 63 anos morreu no dia 7 de abril.

Além das dez mortes confirmadas, outras três seguem em investigação: uma criança indígena de 12 anos, um idoso de 84 anos com doença arterial coronariana e um homem de 50 anos sem doenças crônicas relatadas.

A última morte confirmada antes do recém-nascido foi a de um indígena de 29 anos, morador da Aldeia Bororó, que morreu no dia 25 de abril após complicações causadas pela chikungunya. Ele apresentou sintomas no dia 19 e morreu seis dias depois, enquanto estava internado no Hospital da Vida.

Segundo boletim epidemiológico divulgado nesta sexta-feira (8), a Reserva Indígena contabiliza 3.199 notificações da doença, sendo 2.475 casos prováveis, 2.088 confirmados, 724 descartados e 387 em investigação.

Em todo o município, Dourados soma 8.149 notificações de chikungunya, com 5.350 casos prováveis, 3.340 confirmados, 2.799 descartados e 2.010 em investigação.

Atualmente, 35 pacientes estão internados por causa da doença. Destes, 19 estão no Hospital Universitário da UFGD e sete no Hospital Regional, enquanto os demais permanecem em outras unidades de saúde da cidade.

O relatório epidemiológico aponta ainda que a taxa de positividade da chikungunya em Dourados permanece entre 54% e 61% nos últimos 15 dias, índice considerado muito acima do parâmetro de controle indicado por organismos internacionais de saúde.

O documento também destaca que, a partir da semana epidemiológica 13, os casos passaram a se concentrar principalmente na população não indígena e em áreas urbanas do município, indicando avanço da epidemia para fora da reserva.

O secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo, alertou para a gravidade da situação e pediu apoio da população no combate aos focos do mosquito Aedes aegypti.

“Combater os focos do mosquito Aedes aegypti não é obrigação exclusiva da prefeitura e sim de toda população”, afirmou.

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