A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul apura o caso envolvendo a clínica DaVita Campo Grande, onde 13 pacientes passaram mal durante sessão de hemodiálise realizada em 27 de abril. O episódio está ligado à morte de um homem de 62 anos e, segundo relatos de pacientes, a um segundo óbito registrado nesta semana.
O caso é conduzido pelo delegado Danilo Mansur, da 1ª Delegacia de Polícia. Ele informou que a investigação ainda está em fase preliminar e que aguarda mais informações para eventual instauração de procedimento formal.
“A gente ficou sabendo dessas pessoas que passaram mal e da pessoa que faleceu e, imediatamente, pedimos diligências para entender o que aconteceu. É um caso grave”, afirmou.
Até a manhã desta terça-feira (19), nenhum boletim de ocorrência havia sido registrado. A polícia orienta que familiares e possíveis vítimas procurem a delegacia.
Um dos pacientes, morador de Aquidauana, morreu no dia 30 de abril, após ser internado na Capital. A causa da morte foi registrada como septicemia bacteriana e pneumonia. Familiares devem procurar a polícia.
Nesta segunda-feira (18), pacientes relataram a morte de uma mulher que também teria passado mal no mesmo dia da sessão. A clínica confirmou o segundo óbito.
Outros pacientes seguem internados desde o fim de abril.
O caso também é acompanhado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul e pela Vigilância Sanitária Estadual. O órgão realizou fiscalização no dia 7 de maio e encontrou irregularidades, o que resultou na autuação da unidade.
Segundo a Vigilância, a clínica segue sob monitoramento e deverá corrigir as falhas apontadas. O relatório foi encaminhado ao MPMS, que solicitou informações à Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, à própria Vigilância e à clínica.
A 76ª Promotoria de Justiça aguarda os dados para avaliar a adoção de medidas, incluindo a possibilidade de abertura de inquérito civil.
Pacientes e ex-funcionários relataram problemas com capilares (filtros usados na hemodiálise), incluindo rompimentos durante o uso. Também afirmaram que haveria reutilização desses materiais em pacientes do SUS — prática negada pela clínica.
A Vigilância Sanitária informou que a reutilização de capilares é permitida, desde que feita para o mesmo paciente, com limite de até 20 usos e соблюção de rigorosos protocolos de limpeza, desinfecção e integridade do material.
A unidade da DaVita no bairro São Francisco é a terceira maior de Mato Grosso do Sul em atendimentos pelo Sistema Único de Saúde, com 57 máquinas e cerca de 273 pacientes. Outra unidade da rede na Capital também atende pacientes do sistema público.
Pacientes de diversas cidades do interior são encaminhados para tratamento nas clínicas da empresa em Campo Grande.
Posicionamento da clínica
Em nota, a DaVita informou que recebeu o relatório da Vigilância Sanitária e que responderá aos apontamentos dentro do prazo. A empresa também confirmou o segundo óbito e citou uma falha no abastecimento de energia no dia do ocorrido.
“A clínica lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com os familiares. Reforçamos nosso compromisso com a segurança, a qualidade do atendimento e o cuidado prestado”, diz o comunicado.
O caso segue sob investigação.
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