Foto: Divulgação

Filho defende padrasto em julgamento por morte da mãe: “Eu não condeno ele”

O julgamento de Alfredo Netto, acusado pela morte da esposa Jussara Gimenez Pereira dos Santos, foi marcado nesta terça-feira (16) por um depoimento emocionado do filho da vítima. Durante o Tribunal do Júri, Douglas Aparecido afirmou que não condena o padrasto, a quem considera pai de criação.

Jussara morreu após ser atingida por um disparo de arma de fogo em 26 de setembro de 2024. Alfredo responde pelos crimes de feminicídio e porte ilegal de arma de fogo.

Primeira testemunha a ser ouvida, Douglas relatou que foi criado por Alfredo desde os 12 anos de idade e destacou a relação construída ao longo dos anos.

“Essa pessoa que vocês estão vendo é quem me criou. Eu seria a pessoa mais aborrecida do mundo com a situação e eu não condeno ele, porque eu sei o homem que ele foi para a minha mãe e sei o pai que ele foi para mim”, declarou aos jurados.

Durante o depoimento, que durou cerca de 40 minutos, ele descreveu o relacionamento do casal como estável, afirmando que a mãe tinha personalidade forte, enquanto o padrasto era mais tranquilo e reservado.

“Eles eram assim, 90% Jussara e 10% Alfredo. Ela comandava o casamento. Hoje eu sou o mais prejudicado, sou órfão de pai e mãe”, afirmou. Em outro momento, classificou a morte da mãe como uma “fatalidade”.

Douglas também falou sobre problemas de saúde enfrentados pelos dois. Segundo ele, Jussara sofria de glaucoma degenerativo e possuía visão parcial, enquanto Alfredo convive com Parkinson desde os 42 anos, condição que afeta sua mobilidade.

Outro ponto discutido durante o julgamento foi a versão apresentada pela defesa, de que o disparo teria ocorrido de forma acidental. Em interrogatório, Alfredo afirmou que carregava a arma no dia dos fatos e que, durante uma conversa com a esposa, manifestou desânimo com a própria condição de saúde.

Segundo o réu, ao parar o veículo durante o trajeto, Jussara teria tentado pegar a arma, momento em que ocorreu o disparo.

“Eu falei que ficaria com a arma. Parei o carro e ela pulou na minha frente, puxou para o lado dela e disparou a arma”, declarou.

Questionado pelo Ministério Público sobre como tinha certeza de que o tiro havia sido efetuado pela esposa, Alfredo respondeu: “Porque não fui eu”.

Durante o interrogatório, o acusado chorou diversas vezes. Ao ser perguntado pelo juiz Carlos Alberto Garcete se desejava interromper o depoimento, respondeu: “Vamos continuar e que seja o que Deus quiser”.

O julgamento segue no 1º Tribunal do Júri de Campo Grande, sob a presidência do juiz Carlos Alberto Garcete. A acusação é conduzida pelo promotor José Arturo Iunes Bobadilla, enquanto a defesa está a cargo do advogado Willer Souza Alves de Almeida.

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