Foto: Marcos Maluf

Juiz afasta dolo e mulher deixa de ir a júri popular por morte do companheiro em Campo Grande

O juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, desclassificou a acusação contra Andreia Cristina Santiago, 45 anos, que inicialmente respondia por homicídio doloso pela morte do companheiro, Adailton Cabreira Santana, 29. A partir da decisão, proferida após a fase de instrução, ela passa a responder por lesão corporal seguida de morte, crime que não é julgado pelo Tribunal do Júri, mas pelo próprio juízo da Justiça Estadual.

A mudança de enquadramento ocorreu porque, segundo a sentença, não há elementos que indiquem intenção de matar. O magistrado destacou que Andreia desferiu apenas um golpe, permaneceu no local, tentou estancar o sangramento da vítima e colaborou com o socorro — pontos confirmados pelo policial militar que atendeu a ocorrência e por testemunhas ouvidas ao longo do processo.

Os autos também indicam histórico de violência no relacionamento. Depoimentos mostraram que Adailton havia agredido a companheira em outras ocasiões, reforçando que o episódio estaria inserido em um contexto de briga e não de premeditação ou vontade de matar. Para o juiz, se houvesse dolo, seria esperado que houvesse múltiplos golpes ou ações que impedissem o atendimento da vítima.

Com a desclassificação, Andreia segue respondendo ao processo em liberdade, conforme já previsto em habeas corpus anteriormente concedido pelo Tribunal de Justiça, e deve continuar cumprindo as medidas cautelares impostas.

O caso

O crime ocorreu em 8 de março deste ano, na Rua Dolcinópolis, no Jardim Aeroporto, em Campo Grande. Adailton, que era pedreiro, foi atingido por uma facada no pescoço e morreu no local. Andreia, com quem mantinha relacionamento havia cerca de dois anos, foi presa em flagrante.

Vizinhos relataram à época que o casal tinha brigas frequentes. “Brigavam, ela mandava ele ir embora e eles sempre voltavam”, contou uma moradora ao Campo Grande News. A filha de Andreia, de 26 anos, também afirmou que a mãe possuía medidas protetivas e que era frequentemente agredida pelo companheiro.

Em juízo, testemunhas reiteraram que Adailton já havia sido violento em outras ocasiões. No entanto, a dinâmica específica do momento do crime permaneceu controversa. Andreia alegou que foi ameaçada com uma faca e que o companheiro teria se ferido durante a briga — versão inicialmente contestada, mas considerada plausível no conjunto probatório.

A investigação foi conduzida pela Depac Cepol, e a denúncia por homicídio simples havia sido apresentada pelo Ministério Público. Após a instrução, entretanto, o magistrado entendeu que não havia indícios suficientes para caracterizar o dolo e, por isso, determinou a desclassificação do crime.

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