A menina Hannah Julia, de 8 anos, morreu no dia 29 de abril após passar por quatro atendimentos em unidades de saúde de Campo Grande. A criança esteve uma vez no CRS (Centro Regional de Saúde) Coophavila e outras três na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Leblon antes de morrer.
Os pais da menina afirmam que houve negligência no atendimento e relatam falta de equipamentos e assistência adequada, principalmente na UPA Leblon. A família informou que pretende ajuizar ação contra o município. Até o momento, a Sesau não se manifestou sobre o caso.
Pai da criança, o pastor e supervisor de obras Jeremias Rodrigues relatou a dor da perda da filha, que completaria aniversário na próxima terça-feira (12).
“Não consigo mais acordar e fazer minhas leituras porque tenho a sensação de que ela vai chegar e falar: ‘você está aí, seu cabeçudo’. A Hannah sempre se interessava pelo que eu estava lendo”, contou.
A mãe da menina, Sara Romeiro, disse que chegou a permanecer cerca de 20 minutos com a filha nos braços dentro da UPA Leblon tentando encontrar atendimento.
“Me deram duas ampolas de medicamento na mão e em toda sala que eu entrava falavam que não era lá. Não tinha vaga”, relatou.
Segundo os pais, Hannah começou a apresentar rigidez corporal, dificuldade para respirar e convulsões. Após o agravamento do quadro, ela foi levada para uma maca e posteriormente entubada, mas morreu durante a madrugada.
A criança havia procurado atendimento pela primeira vez no dia 24 de abril, no CRS Coophavila, com sintomas respiratórios e febre alta. Exames iniciais apontaram quadro viral.
No dia 27, após piora, ela foi levada à UPA Leblon. Conforme a família, a glicemia da menina teria sido aferida em 151 mg/dL, mas os pais foram orientados a retornar para casa após medicação com dipirona e soro fisiológico.
No dia 28, Hannah voltou duas vezes à unidade. Segundo a mãe, a criança apresentava vômitos constantes, inchaço ao redor dos olhos, dores no corpo, dores na nuca, calafrios e dificuldade para andar.
O atestado de óbito aponta parada cardiorrespiratória com choque por causa ainda não esclarecida. A família aguarda o laudo do Imol.
“Ela estava brincando no último domingo. A gente não foi na UPA para passear, fomos porque precisávamos de socorro imediato. Queremos Justiça para que outras pessoas não passem por isso”, afirmou o pai.
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