Uma moradora da Vila Sobrinho, em Campo Grande, perdeu cerca de R$ 16,6 mil após cair no chamado “golpe do falso advogado”, modalidade de fraude que tem se espalhado rapidamente por todo o Estado. O caso foi registrado nesta segunda-feira (27) na Depac Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário).
Segundo o boletim de ocorrência, a vítima possui uma ação judicial em andamento e acreditou ter recebido uma ligação da equipe de seu próprio advogado. O homem, que se apresentou como “Thiago”, alegou ser integrante do escritório e afirmou que o processo havia sido ganho, mas que, para liberar o pagamento de R$ 16.534,00, seriam necessárias algumas “transações de ativação”.
Seguindo as instruções do golpista, a mulher realizou várias transferências bancárias, tanto de sua conta quanto da filha, totalizando R$ 16.684,00. Os valores foram desviados por meio de links fraudulentos enviados pelo criminoso.
Casos semelhantes vêm crescendo em Mato Grosso do Sul. Segundo a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul), quase mil denúncias de fraudes com o mesmo modus operandi foram registradas somente em 2025.
Diante da escalada, a entidade anunciou que vai ajuizar uma ação civil pública contra empresas de telefonia, instituições financeiras e a Meta — controladora do WhatsApp e Facebook — para exigir medidas de segurança mais eficazes contra esse tipo de golpe.
O presidente da OAB/MS, Bitto Pereira, afirmou que a ação será protocolada nos próximos dias na Justiça Federal.
“Quando um golpista usa celular ou WhatsApp, as empresas, por obrigação legal, precisam saber quem está abrindo a linha”, destacou.
“Defendemos que operadoras e plataformas digitais adotem sistemas automáticos para derrubar perfis falsos e identificar os responsáveis.”
Entre as medidas já implementadas pela Ordem está a plataforma ConfirmADV, que permite verificar em tempo real a autenticidade de advogados. O sistema envia uma confirmação direta ao profissional e, se não houver resposta em até cinco minutos, alerta o cidadão sobre possível fraude.
Casos como o da moradora da Vila Sobrinho exemplificam a sofisticação das quadrilhas, que utilizam dados públicos de processos judiciais para dar aparência de legitimidade às abordagens criminosas.
Em outros estados, iniciativas semelhantes já começam a gerar resultados. Na Paraíba, a Amib (Associação de Mobilização, Impacto Social, Ambiental e dos Direitos Básicos) obteve decisão judicial que reconhece a responsabilidade das operadoras Vivo, Claro e TIM, além da Meta, como fornecedoras de serviços essenciais à segurança digital, com base no Código de Defesa do Consumidor (CDC).
A expectativa da OAB/MS é de que a Justiça Federal sul-mato-grossense siga o mesmo entendimento, obrigando as empresas a implementar verificações de identidade, uso de biometria e cruzamento de dados oficiais.
As autoridades reforçam que nenhum advogado legítimo solicita pagamentos por links ou mensagens de aplicativos.
Em caso de dúvida, é essencial confirmar as informações diretamente com o profissional por canais oficiais ou pela plataforma ConfirmADV.
A OAB-MS mantém um canal de denúncias para relatar perfis falsos e tentativas de fraude em sua página oficial.
Vítimas também podem registrar boletim de ocorrência em qualquer delegacia ou online, pelo site da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
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