Foto: Reprodução

Servidor nega denúncia de importunação sexual e diz ter sido vítima de tentativa de extorsão em Campo Grande

Após vir a público a denúncia de importunação sexual feita por uma jovem de 21 anos, um servidor do sistema penitenciário estadual, de 39 anos, procurou a reportagem para negar as acusações e afirmar que foi alvo de tentativa de extorsão em Campo Grande.

A jovem registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e relatou que o homem teria mostrado o órgão genital e se masturbado durante uma videochamada realizada pelo WhatsApp, após conversas sobre uma possível vaga de emprego em um estabelecimento na Capital.

Em entrevista, o servidor afirmou que a ligação ocorreu depois de troca de mensagens relacionadas à possível contratação em um estabelecimento administrado pela esposa dele. Segundo o relato, a jovem havia participado de uma entrevista anteriormente, mas não foi selecionada porque a vaga já havia sido preenchida.

De acordo com o homem, semanas depois a jovem voltou a entrar em contato perguntando sobre a vaga e os dois retomaram a conversa pelo aplicativo, o que teria levado à chamada de vídeo.

O servidor afirma que a ligação foi consensual e teria durado cerca de 12 minutos. “Se fosse algo forçado, ela teria desligado na hora. Você ficaria em uma ligação, depois de ser assediada, por 12 minutos?”, afirmou.

Segundo ele, durante a conversa a jovem também teria se exposto e, ao final da chamada, passou a pedir dinheiro ou a garantia de contratação. “Ela perguntou o que iria ganhar com aquilo. Disse que eu podia contratar ela ou mandar um pix”, relatou.

O homem afirma que recusou qualquer pagamento e encerrou a ligação. Pouco tempo depois, segundo ele, o vídeo foi enviado ao celular do estabelecimento, utilizado para contato com candidatas à vaga, o que fez com que a esposa dele tomasse conhecimento do episódio.

Após a situação, o servidor afirma que procurou a delegacia e registrou um boletim de ocorrência por extorsão. Ele sustenta que a denúncia de importunação sexual foi registrada pela jovem apenas horas depois.

Durante a entrevista, o homem disse que nunca respondeu a processos ou sofreu punições disciplinares e que a acusação contraria sua trajetória pessoal. “Tenho 39 anos e nunca tive histórico de nada. Quem me conhece sabe do meu caráter”, afirmou.

Ele também destacou sua ligação com a igreja e disse que sempre manteve vida familiar estável. “Sempre fui músico na igreja desde os 11 anos. Sou homem de família. Jamais faria algo assim”, declarou.

Segundo o servidor, a repercussão do caso trouxe impactos pessoais e profissionais. Ele afirma ter perdido função no trabalho e diz que familiares também foram afetados.

“Minha filha não quer ir para a escola por causa dos comentários. Estão me chamando de estuprador. Acabaram com a minha reputação”, disse.

O caso segue em investigação pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. A denúncia registrada pela jovem foi classificada como importunação sexual, enquanto o boletim citado pelo servidor relata suspeita de extorsão.

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