Rafael Mendes de Souza, Kleverton Bibiano Apolinário da Silva e Nicollas Inácio Souza da Silva sentados no banco dos réus. (Foto: Osmar Veiga)

Três réus são condenados a 69 anos de prisão por morte de adolescentes atingidos por engano em Campo Grande

Os réus Nicollas Inácio Souza da Silva, Kleverton Bibiano Apolinário da Silva e Rafael Mendes de Souza foram condenados a 69 anos de prisão, no total, pela morte dos adolescentes Aysla Carolina de Oliveira Neitzke e Silas Ortiz, ambos de 13 anos, assassinados a tiros no dia 3 de maio de 2024, na Rua Flor de Maio, bairro Jardim das Hortências, em Campo Grande.

As vítimas não eram os alvos dos criminosos e foram mortas por engano.
Nicollas recebeu pena de 43 anos, Kleverton de 14 anos e Rafael de 12 anos de prisão.

Outro jovem, identificado como Pedro Henrique, que era o verdadeiro alvo do grupo, também foi baleado na ocasião, mas sobreviveu.

O atirador João Vitor de Souza Mendes não foi julgado, pois a defesa apresentou um atestado médico alegando que o réu estava passando mal. Já George Edilton Dantas Gomes, motorista de aplicativo que teria conduzido os envolvidos, foi absolvido. As informações foram confirmadas pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

“Rixa de festa e briga”, disse condenado em depoimento

Durante o julgamento, Nicollas, primeiro a ser ouvido, declarou que o grupo decidiu ir atrás de Pedro Henrique por causa de uma “rixa antiga”.
“A gente decidiu ir atrás do Pedro Henrique porque ele já havia ameaçado a gente, era coisa de festa, de briga”, afirmou o réu, que pilotava a moto no momento do crime.

Ele negou ser traficante e afirmou que o alvo do ataque, Pedro Henrique, sim estaria envolvido com o tráfico. Nicollas também negou a existência de um mandante, dizendo que apenas ele e o atirador participaram da ação.

A promotora de Justiça chegou a advertir o réu para que “falasse a verdade” e não tentasse defender possíveis mandantes do crime.

Nicollas contou ainda que só soube que os tiros haviam atingido os adolescentes inocentes ao ler uma reportagem do Jornal Midiamax. “A gente chegou lá de moto e viu que o Pedro estava armado. O Pedro Henrique logo começou a atirar, eu nem cheguei a parar a moto”, relatou.

Relembre o caso

O crime ocorreu na noite de 3 de maio de 2024, quando Aysla e Silas, ambos de 13 anos, estavam tomando tereré em frente a uma casa no Jardim das Hortências. Eles foram atingidos por disparos nas costas e no rosto.

De acordo com a investigação, o atentado tinha como alvo Pedro Henrique, suposto integrante de uma facção criminosa rival. A disputa estaria ligada ao tráfico de drogas na região.

O júri dos cinco acusados — Kleverton Bibiano Apolinário da Silva (“Pato Donald”), João Vitor de Souza Mendes, Nicollas Inácio Souza da Silva (“Nicolau”), Rafael Mendes de Souza (“Jacaré”) e George Edilton Dantas Gomes — começou às 8h da quarta-feira (5).

Kleverton, conhecido como “Pato Donald”, é apontado pela polícia como um dos chefes do tráfico nas Moreninhas e suspeito de ordenar o ataque.

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