Foto: Divulgação

Vizinho relata que acusado de matar subtenente dizia que vítima havia se suicidado

A primeira audiência de instrução e julgamento do feminicídio da subtenente da Polícia Militar, Marlene de Brito Rodrigues, foi realizada na tarde desta segunda-feira (15), na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. Durante o depoimento, um policial militar vizinho da vítima afirmou ter encontrado o acusado, Gilberto Jarson, com as mãos ensanguentadas logo após os disparos.

Segundo a testemunha, ela ouviu os tiros, mas inicialmente não imaginou a gravidade da situação. Pouco depois, uma vizinha alertou que os disparos teriam ocorrido na residência da policial.

“Ouvi disparos, mas não dei muita importância. Depois ouvi a vizinha gritando dizendo que foi na casa da sub Marlene. A mão dele estava com sangue. Ficou falando que ela se matou”, relatou o policial em juízo.

O militar contou que precisou pular o muro da residência porque o acusado demorou para abrir o portão. Ao chegar à porta da casa, encontrou Gilberto segurando um revólver em uma das mãos e um celular na outra.

“Na hora, pensei que ela poderia estar viva e pulei o muro. Quando cheguei à porta, o acusado estava com um 38 na mão direita e um celular na mão esquerda. Perguntei o que aconteceu e ele disse que não sabia”, afirmou.

Testemunha relatou histórico de agressividade

Durante o depoimento, o policial também relatou ter presenciado discussões anteriores entre o casal. Segundo ele, Gilberto costumava dirigir ofensas à vítima.

“Já presenciei ele sendo bem ríspido com ela, xingando de velha, safada e gritando no portão. Em uma das ocasiões, bati no portão para falar com ela, mas ela não saiu”, declarou.

A testemunha ainda afirmou que, após o ocorrido, Gilberto permaneceu ao telefone tentando contato com um pastor.

“Não mostrou agressividade, largou a arma quando falei e ficou ligando para um pastor. Ficava falando: ‘pastor, pastor’, toda hora”, disse.

Caso é tratado como feminicídio

A subtenente Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, foi morta a tiros dentro da própria residência no dia 6 de abril. Conforme as investigações, ela foi atingida na região do pescoço.

De acordo com a apuração policial, o vizinho militar foi a primeira pessoa a chegar ao local após ser alertado por moradores. Ao entrar na residência, encontrou a vítima ainda com sinais vitais e acionou equipes de socorro, mas ela não resistiu aos ferimentos.

As investigações apontam que Gilberto apresentou versões contraditórias sobre o ocorrido. Em um primeiro momento, teria afirmado que a companheira tirou a própria vida. Posteriormente, alegou que possuía provas de que Marlene manifestava intenção de cometer suicídio.

Testemunhas ouvidas pela polícia relataram que as discussões entre o casal eram frequentes e que, em ocasiões anteriores, ouviram gritos e pedidos de socorro vindos da residência.

A audiência desta segunda-feira marcou o início da fase de instrução do processo, quando testemunhas são ouvidas e provas são produzidas para subsidiar a decisão da Justiça sobre o julgamento do caso pelo Tribunal do Júri.

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