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Apreensão de canetas emagrecedoras dispara e vira desafio para destruição em MS

O avanço do contrabando de medicamentos e produtos estéticos ilegais na fronteira entre Brasil e Paraguai tem mudado o foco de atuação da Receita Federal do Brasil em Mato Grosso do Sul. Se antes as apreensões eram concentradas em eletrônicos, agora as chamadas “canetas emagrecedoras” lideram o volume de mercadorias retidas, com crescimento superior a dez vezes em relação ao ano passado.

Segundo o delegado-adjunto da Receita em Campo Grande, Henry Tamashiro de Oliveira, o aumento começou no início deste ano e está ligado tanto ao crescimento do contrabando quanto à intensificação da fiscalização. Entre os produtos, o destaque é o medicamento Mounjaro, amplamente procurado para emagrecimento.

“Esse ano, a partir do início, começou a aumentar bastante esse tipo de apreensão, principalmente dessas canetas emagrecedoras”, afirmou.

O combate ocorre de forma integrada com forças policiais que atuam nas rodovias, além do reforço no trabalho de inteligência. Antes voltadas a cigarros eletrônicos e agrotóxicos, as ações agora priorizam esse novo tipo de mercadoria.

Outro ponto de preocupação é o transporte irregular. Para driblar a fiscalização, os produtos são escondidos em locais improvisados, como motores e pneus de veículos, sem qualquer controle de temperatura — o que compromete ainda mais a segurança. Muitos desses medicamentos exigem refrigeração e condições específicas de armazenamento.

Sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária e sem garantia de procedência, os itens representam risco à saúde. “Não há controle de qualidade, nem comprovação de origem”, alertou o delegado.

A maioria dos produtos entra no país a partir do Paraguai, onde são adquiridos com facilidade em farmácias e outros estabelecimentos. Após a apreensão, passam por processo administrativo, mas, diferentemente de outros itens, não podem ser reaproveitados e têm como destino final a destruição.

O aumento no volume, no entanto, trouxe um novo problema: a falta de estrutura adequada para o descarte em Mato Grosso do Sul. Atualmente, os materiais precisam ser enviados para outros estados, como Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás.

“Para a gente, isso acaba sendo um desafio de gestão, porque alguém precisa fazer essa destruição com segurança”, explicou.

Apesar das dificuldades com medicamentos ilegais, a Receita tem buscado alternativas sustentáveis para outros produtos apreendidos. Um exemplo é a transformação de equipamentos TV Box em computadores para escolas, iniciativa que começa a ser estruturada em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

A proposta também inclui estudos para o descarte adequado de agrotóxicos e outros materiais, diante do aumento das apreensões e da necessidade de soluções ambientalmente seguras.

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