A família do ex-paratleta sul-mato-grossense Maykon Douglas de Jesus Almiron, de 30 anos, iniciou uma campanha para arrecadar recursos e custear a viagem até Recife, onde ele foi enterrado como indigente, apesar de portar documento de identidade. O objetivo é regularizar a documentação e alterar o registro de sepultamento para que conste oficialmente o nome do atleta.
Uma advogada foi contratada para acompanhar os trâmites legais. A professora Jurema Cabral, de 53 anos, ex-cunhada e amiga da família, viajará com a mãe de Maykon, Maria Marta de Jesus Almiron, para prestar apoio durante o processo na capital pernambucana.
Segundo Jurema, as passagens foram adquiridas às pressas para embarque na quarta-feira (4), ao custo aproximado de R$ 5 mil. “Peguei dinheiro emprestado para garantir a ida, mas não temos recursos para a volta nem para outras despesas”, afirmou. A previsão é de permanência de cerca de sete dias, já que a emissão dos documentos não ocorre no mesmo dia.
A campanha tem meta de R$ 20 mil para cobrir despesas com passagens, hospedagem e demais custos. “Precisamos resolver toda a documentação, emitir a certidão de óbito, organizar pendências deixadas por ele e encerrar esse ciclo com dignidade. Qualquer valor ajuda. Se não puder contribuir, compartilhe”, disse Jurema.
Ela relembra que amamentou Maykon quando ele nasceu, pois a mãe não conseguiu fazê-lo à época. “Queremos um atestado de óbito digno de uma pessoa que tinha residência fixa e família. Vamos abrir processo para corrigir o nome na certidão”, declarou.
A família afirma que soube da morte por meio de uma postagem de um influenciador digital de Pernambuco. Maykon morreu no dia 13 de fevereiro, após cair do quarto andar de um prédio no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul de Recife. O sepultamento ocorreu no dia seguinte.
Moradora do Portal Caiobá, em Campo Grande, a mãe, a cozinheira Marta Almiron, questiona a condução do caso. “Disseram que ele faleceu no dia 13, mas a gente só ficou sabendo no dia 25. Enterraram meu filho como indigente, como se ele não tivesse família”, lamentou. Ela reforça que o filho não vivia em situação de rua. “Meu filho não é indigente. Ele tem família. Poderia ter tido um velório digno. Eu não me conformo. Vou procurar meus direitos”, afirmou.
De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, Maykon trabalhava vendendo balas no calçadão da Praia de Boa Viagem quando foi convidado por um homem a ir até um apartamento próximo. No local, conforme a investigação, o morador teria apresentado um surto e empurrado a vítima da varanda do quarto andar. Uma mulher que também estava no imóvel conseguiu sair antes.
Após o ocorrido, o suspeito também caiu do prédio, chegou a ser socorrido ao Hospital da Restauração, mas não resistiu. Maykon morreu no local. O caso segue sob investigação.
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