Dois fazendeiros de Porto Murtinho, a 439 km de Campo Grande, firmaram acordo com o Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS) para indenizar sete trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão. O valor total das compensações ultrapassa R$ 1 milhão, conforme homologação da Justiça do Trabalho.
Os trabalhadores foram resgatados em abril deste ano, durante uma força-tarefa composta pela Fiscalização do Trabalho, com apoio do MPT, da Polícia Militar Ambiental, da Coordenadoria de Policiamento Aéreo da Sejusp e de agentes do Ministério Público da União.
Inicialmente, o MPT ajuizou ação civil pública solicitando a expropriação da fazenda e R$ 8,9 milhões por danos morais coletivos. Com o acordo, foram definidos pagamentos individuais aos trabalhadores, indenização coletiva e medidas estruturais para evitar novas violações.
Cinco trabalhadores receberão indenizações equivalentes a 20 vezes o salário mensal, cada um. Outros dois, por serem menores de idade, terão direito a 50 vezes esse valor, devido à maior gravidade da violação. Também foi determinado o pagamento de dano moral coletivo, pelo impacto social da conduta, elevando o total a mais de R$ 1 milhão.
Para garantir o cumprimento do acordo, os fazendeiros ofereceram duas propriedades rurais em Corumbá como garantia judicial. Os imóveis foram declarados inalienáveis até o pagamento integral das indenizações, e qualquer liberação dessa restrição dependerá de decisão judicial.
Entre as obrigações assumidas estão:
Registro formal de todos os trabalhadores, inclusive terceirizados;
Responsabilização solidária ou subsidiária pelas condições de trabalho e segurança;
Proibição de trabalho infantil ou de adolescentes em atividades perigosas ou insalubres;
Pagamento de verbas rescisórias em até 10 dias após o término do contrato;
Oferta de alojamentos adequados, água potável, roupas de cama, EPI, refeitório, sanitários, lavanderia e atendimento de primeiros socorros;
Exames médicos admissionais e periódicos e treinamento para o uso seguro de máquinas.
A execução e fiscalização do acordo caberá ao MPT, à Auditoria-Fiscal do Trabalho e à Justiça do Trabalho. As medidas visam prevenir reincidência e reforçar a responsabilização de empregadores que ainda insistem em práticas ilegais no campo.
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