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Dourados investiga nova morte suspeita por chikungunya e total de óbitos em análise sobe para quatro

Dourados investiga uma nova morte suspeita por chikungunya e elevou para quatro o número de óbitos em análise relacionados à doença. Até o momento, oito mortes já foram confirmadas no município, que concentra mais da metade dos registros fatais em Mato Grosso do Sul.

A vítima mais recente é um homem indígena, de 29 anos, morador da Aldeia Bororó, que morreu nesta segunda-feira (27). Ele estava internado no Hospital da Vida e, conforme o boletim epidemiológico, não apresentava comorbidades.

Casos seguem em alta

Nas últimas 24 horas, o município confirmou 86 novos casos da doença, totalizando 2.554 confirmações. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (28), Dourados soma 5.187 casos prováveis de chikungunya.

Desse total, 1.973 ainda estão em investigação e 1.913 foram descartados, resultando em 7.100 notificações desde o início do surto.

Apesar de a cidade seguir em situação de emergência em saúde pública, as últimas semanas apontam mudança no perfil da transmissão. Houve predominância recente de casos entre a população não indígena, enquanto nas aldeias foi registrada queda expressiva.

Até a 12ª semana epidemiológica, os casos estavam concentrados nos territórios indígenas, com 750 registros entre indígenas e 443 na população geral. Na semana seguinte, o cenário se inverteu, com 574 casos na área urbana contra 322 entre indígenas.

Considerando o período entre a 12ª e a 16ª semana epidemiológica, a redução de casos nas aldeias chega a cerca de 81,9%.

Mortes confirmadas e investigações

Entre os oito óbitos confirmados, sete eram indígenas — dois bebês, de 1 e 3 meses, e cinco adultos, em sua maioria idosos, com idades entre 55 e 77 anos. A única morte fora do território indígena foi a de um homem de 63 anos, com comorbidades.

Dos quatro casos ainda investigados, dois são de indígenas e dois de não indígenas. Entre eles estão:

  • uma criança indígena de 12 anos;
  • um idoso não indígena de 84 anos, com doença arterial coronariana;
  • um homem de 50 anos, sem doenças crônicas informadas, que morreu na UPA em 27 de abril;
  • o homem indígena de 29 anos, falecido no Hospital da Vida.

Rede de saúde sobrecarregada

Somente nos territórios indígenas, que abrigam mais de 20 mil pessoas, são 2.412 casos prováveis, sendo 1.461 confirmados e 951 em investigação. Também já foram registrados 237 atendimentos hospitalares nessa população.

Atualmente, 33 pessoas seguem internadas. Conforme a prefeitura, o avanço da doença tem provocado sobrecarga na rede municipal de saúde, especialmente nas unidades básicas, serviços de urgência e leitos hospitalares.

Sobre a chikungunya

A chikungunya é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada pelo vírus CHIKV. Os sintomas são semelhantes aos da dengue, porém costumam causar dores articulares mais intensas e prolongadas.

Em muitos casos, as dores podem se tornar crônicas e persistir por meses ou anos. A doença também pode provocar complicações neurológicas, cardiovasculares e renais, podendo levar à internação e, em situações graves, à morte.

Em caso de sintomas, a orientação é procurar atendimento médico. Exames e testes diagnósticos estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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