(Foto: Henrique Kawaminami)

Prisão do prefeito de Terenos divide moradores entre indignação e expectativa por justiça

A prisão do prefeito de Terenos, Eduardo Henrique Wancura Budke (PSDB), durante a Operação Spotless nesta terça-feira (9), provocou surpresa, descrença e sensação de vergonha entre moradores do município de pouco mais de 20 mil habitantes.

Para o empresário Celso Campaia, que vive há 30 anos na cidade, a situação expôs negativamente o município. “Essa questão é uma falta de respeito ao cidadão de Terenos. O povo o colocou lá porque tinha mérito. Há dois anos o Ministério Público está investigando. Então, daqui para frente, ninguém sabe o que vai acontecer. O município continua. As autoridades é que têm de se reunir e decidir o que fazer de melhor.”

Já o motorista Edenir Neto, de 30 anos, morador há seis meses, disse que as conversas giram em torno de um suposto desvio de recursos. “O povo fala que tá um desvio de dinheiro, não tem dinheiro pra saúde e nem educação. Pra nós é uma vergonha. O boato é que ele comprou fazenda com apoio das empresas e era dinheiro que tinha que investir pra nós.”

O agricultor Valter Aparecido, 55 anos, defendeu a responsabilização. “Se ele deve, tem que pagar, tem que ser responsabilizado. Bonito não é! Eu não acho que vai mudar muita coisa porque aí assume o vice. Sempre falta médico na parte da saúde; quando precisa de especialistas, a gente vai pra Campo Grande.”

Para o ruralista Júlio Morais, que vive há 20 anos em Terenos, a Justiça deve dar a palavra final. “Se ele fez por merecer, tem que ser preso. A verdade tem que ser exposta. Se fez errado, tem que pagar; se não fez, ele vai reverter. Que ele possa provar.”

Operação Spotless

Deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), a operação cumpriu 16 mandados de prisão, entre eles contra o prefeito Eduardo Budke, empresários e servidores, acusados de participação em esquema de fraudes em contratos da Prefeitura de Terenos que somam R$ 15 milhões.

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o grupo simulava concorrência em licitações, direcionava editais e pagava propina a servidores para acelerar pagamentos e legitimar serviços não executados. As provas surgiram da análise de celulares apreendidos na Operação Velatus, em 2024, que já havia identificado irregularidades semelhantes.

No mesmo ano, o MPC-MS (Ministério Público de Contas) conseguiu no TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado) a suspensão de contratos da prefeitura. Embora a gestão tenha anunciado sindicâncias para apurar responsabilidades, os contratos continuaram sob investigação até a deflagração da Spotless.

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