Há três meses à frente da Prefeitura de Terenos, o vice-prefeito Arlindo Landolfi (Republicanos) afirma que o município começa a se reorganizar após a Operação Spotless, que levou à prisão e ao afastamento do prefeito Henrique Wancura Budke (PSDB). A investigação do Gaeco revelou um esquema de fraudes que somam R$ 9,6 milhões em contratos públicos.
Landolfi assumiu o Executivo três dias após a prisão do titular e diz que a gestão tem trabalhado com “possibilidades reais” diante do cenário deixado pela investigação. “Assumimos o município em um momento complexo, com desafios imediatos. Nesses primeiros 90 dias, atuamos com responsabilidade e foco em reorganizar a máquina pública e entregar resultados concretos”, afirma ao Jornal Midiamax.
Entre os serviços retomados estão a recuperação de ruas, a operação tapa-buracos e obras de pontes — contratos que, segundo o Gaeco, foram alvo de fraudes. O vice-prefeito também cita avanços em obras do hospital e a conclusão do projeto técnico para continuidade da reforma do ginásio municipal.
Em relação às finanças, Landolfi destaca medidas de contenção, como o cancelamento da tradicional Festa do Ovo deste ano. “Tomamos decisões importantes para adequar a realidade financeira do município, priorizando a responsabilidade fiscal”, aponta. A prefeitura, no entanto, unificou eventos e manteve celebrações como a festividade de Natal e a Marcha para Jesus.
Emendas parlamentares devem reforçar a área de infraestrutura, com investimentos previstos na pavimentação asfáltica.
A Operação Spotless, deflagrada em 9 de setembro por Gaeco e Gecoc, revelou um esquema de direcionamento de licitações em Terenos. Segundo a investigação, empresas combinavam resultados e usavam participantes “de fachada” para simular competição. Em troca, agentes públicos recebiam propina para atestar serviços não executados e agilizar pagamentos.
A operação cumpriu 16 mandados de prisão e 59 de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul (SP). Henrique Budke é apontado como chefe da organização criminosa. O levantamento do Gaeco indica que somente no último ano as fraudes superaram R$ 15 milhões.
Entre os contratos sob suspeita estão reformas de ESFs, construção de pontes e barracões, serviços de limpeza urbana, operação da iluminação pública e manutenção de semáforos — todos firmados entre 2022 e 2025, com valores que variam de R$ 59,4 mil a R$ 2,9 milhões.
Entre os presos estão o prefeito Henrique Budke e empresários ligados às empresas vencedoras dos certames, além de um policial militar. A operação é desdobramento da Operação Velatus, de agosto de 2024, que forneceu provas de que Budke liderava o esquema.
Com apoio da PMMS, o Gaeco identificou núcleos estruturados de corrupção, manipulação de editais e pagamentos indevidos — em um processo que, segundo o órgão, visava manter “contratações públicas sem manchas”, referência ao nome Spotless.
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