Foto: Reprodução | Campo Grande News | Redes sociais

Após mudança na lei, feminicídios seguem em alta em MS; novembro de 2025 é o mês mais violento da década

A tipificação do feminicídio em 2015, com a entrada em vigor da Lei 13.104, inaugurou a série histórica de mortes de mulheres motivadas por violência de gênero no Brasil. Oito anos depois, em outubro de 2024, uma nova mudança legislativa — a Lei 14.994 — transformou o feminicídio em crime autônomo e ampliou mecanismos de prevenção. Ainda assim, os registros continuam em alta em Mato Grosso do Sul.

Desde 2015, o Estado contabiliza 352 feminicídios, sendo 81 em Campo Grande. O primeiro ano da série registrou 17 casos. O mais letal até agora foi 2022, com 44 vítimas, seguido de 2020, com 40.

2025 acende novo alerta

Em 2025, a violência contra mulheres voltou a crescer. O Estado soma 37 feminicídios no ano e já ultrapassa os números de 2024, quando 35 mulheres foram assassinadas. Novembro se tornou o mês mais violento da década, com seis mortes em menos de 30 dias.

As vítimas de novembro

A sequência começou em 4 de novembro, em Jardim, onde Aline Silva, 26 anos, foi morta a facadas no Bairro Santa Tereza. Ela estava em casa quando um homem de cerca de 55 anos chamou por ela no portão e a atacou em seguida. Segundo a prima, que pediu anonimato, Aline manteve um relacionamento de dois anos com o suspeito, que não aceitava o fim da relação.

Horas depois, em Aparecida do Taboado, Mara Aparecida do Nascimento Gonçalves, 43 anos, foi assassinada com um golpe de faca no pescoço. O filho foi preso como principal suspeito. Familiares disseram que a mulher vivia sob agressões. “Vivia agredindo-a”, declarou o irmão da vítima.

Outro crime que chocou o Estado ocorreu em Rochedo. Três pessoas da mesma família — Rosimeire Vieira de Oliveira, 37 anos, a mãe dela, Irailde Vieira Flores de Oliveira, 83, e um adolescente de 14 anos — foram esfaqueadas e queimadas dentro de casa. As vítimas tinham ferimentos no pescoço e no tórax e fuligem na traqueia, indicando que estavam vivas quando o incêndio começou. O ex-namorado de Rosimeire, Higor Thiago Santana de Almeida, 31, foi preso em flagrante. A Polícia Civil aponta vingança como motivação.

Em Sonora, no dia 17 de novembro, Gabrielle Oliveira dos Santos, 25 anos, foi enforcada pelo companheiro, Diovani Alfredo Dique de Oliveira, 31. Antes de se entregar à polícia, ele avisou a mãe da vítima e indicou onde o corpo estava. O autor disse ter matado Gabrielle por ciúmes.

A vítima mais recente é Alliene Nunes Barbosa, 50 anos, ex-guarda municipal assassinada a facadas em Dourados no domingo (23). O suspeito, Cristian Alexander Cabeza Henriquez, 44 anos, usava tornozeleira eletrônica e havia sido alvo de pedido de medida protetiva no início do mês. O filho dela, de 9 anos, ficou preso na casa por cerca de 40 minutos até conseguir pedir ajuda. Alliene foi encontrada com aproximadamente 23 perfurações. Cristian confessou o crime ao ser localizado na casa da mãe.

Mês mais violento da série histórica

Com seis feminicídios registrados em novembro, 2025 supera todos os anos anteriores desde a criação da categoria penal. Nem mesmo 2022, o ano mais letal da série, teve um mês com tantos assassinatos de mulheres. O ritmo das ocorrências reforça o alerta sobre a escalada da violência de gênero no Estado, mesmo após as mudanças legislativas recentes.

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