Mato Grosso do Sul está entre os sete estados brasileiros que registraram aumento nos casos de feminicídio entre 2014 e 2024, segundo dados do Atlas da Violência. O Estado aparece ao lado de Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraná e Roraima, enquanto a maioria das unidades da federação apresentou redução nos índices.
O levantamento aponta que 19 dos 27 estados brasileiros tiveram queda nas taxas de feminicídio no período, indicando uma tendência nacional de diminuição da violência letal contra mulheres. Apesar disso, os casos ligados à violência doméstica seguem como um desafio persistente.
De acordo com o estudo, os crimes ocorridos dentro de residências apresentam comportamento diferente dos assassinatos registrados fora do ambiente doméstico. A violência em locais públicos teve queda mais acentuada entre 2018 e 2019, seguida de estabilização nos anos posteriores.
Já os feminicídios ocorridos em residências apresentaram maior estabilidade ao longo do tempo, com variações menos intensas e trajetória relativamente linear no período analisado, embora com leve aumento registrado em 2017. Segundo o Atlas, esse padrão pode indicar a permanência da violência doméstica, mesmo diante da redução geral dos casos.
A Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, também contribuiu para aprimorar a identificação desses crimes. O relatório destaca que parte do aumento registrado ao longo dos anos pode estar relacionada ao melhor enquadramento das ocorrências como feminicídio, incluindo casos fora do ambiente doméstico motivados por menosprezo à condição da mulher.
Outro dado relevante é o impacto desigual da violência. Em 2024, o Brasil registrou 2.457 homicídios de mulheres negras, o equivalente a 67,5% do total. A taxa foi de 4 mortes a cada 100 mil mulheres negras, 66,7% superior à registrada entre mulheres não negras, que ficou em 2,4 por 100 mil.
Apesar de uma queda de 28,6% nos últimos 11 anos, a violência contra mulheres negras segue mais elevada, evidenciando a relação entre desigualdade racial, violência de gênero e vulnerabilidade social.
Dados do Sistema Único de Saúde mostram que 3.642 mulheres foram assassinadas no país em 2024, o que corresponde a uma taxa de 3,4 mortes a cada 100 mil mulheres — redução de 6,7% em relação a 2023. Desde 2014, houve diminuição de 27,7% na taxa de homicídios femininos registrados pelo sistema de saúde.
Apesar da tendência de queda, o volume absoluto ainda é considerado elevado. Entre 2014 e 2024, 46.336 mulheres foram assassinadas no país, reforçando que a violência letal de gênero continua sendo um dos principais desafios no Brasil, especialmente em estados onde houve aumento, como Mato Grosso do Sul.
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