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Alunas começam a ser ouvidas pela Corregedoria em apuração contra delegado por suposto assédio na Acadepol

As alunas que denunciaram o delegado e ex-vereador Wellington de Oliveira, professor da Academia da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, começam a ser ouvidas nesta semana pela Corregedoria da Polícia Civil, que apura a conduta do servidor. As oitivas tiveram início nesta segunda-feira (23).

De acordo com o corregedor, delegado Clever José Fante, serão ouvidas as denunciantes e também testemunhas. O delegado é investigado por suspeita de assédio sexual e moral contra alunos durante aulas na academia.

Segundo relatos de estudantes, houve denúncias em todas as oito turmas nas quais o delegado teria ministrado aulas. Entre as falas atribuídas a ele, estão perguntas sobre vida íntima, comentários considerados ofensivos e afirmações de cunho sexual. Uma das alunas relatou que o professor teria perguntado quanto tempo ela ficaria em um motel com alguém. Em outro momento, teria dito que algumas alunas tinham perfil para atuar como “prostitutas infiltradas”.

Além das acusações de assédio sexual, também houve denúncia de assédio moral. Conforme relato de alunos, o delegado teria afirmado que reclamações não teriam efeito por ele fazer parte do conselho da instituição. Atualmente, Wellington também integra a Ouvidoria da Polícia Civil e participa de grupo técnico criado após o feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte.

A denúncia foi encaminhada à direção da academia, que enviou o caso para a Corregedoria. Foi elaborada uma ata assinada por líderes de sala, vítimas e testemunhas. O curso de formação da Polícia Civil começou em 27 de janeiro deste ano, após concurso realizado no fim de 2025.

Polícia Civil confirma investigação

Em nota, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou que instaurou Auto de Investigação Preliminar para apurar os fatos. O procedimento inclui coleta de depoimentos, análise das aulas ministradas e solicitação de informações à academia.

A instituição também informou que a disciplina ministrada pelo delegado já havia sido concluída quando as denúncias foram formalizadas e que ele não participa atualmente de atividades acadêmicas na ACADEPOL.

Delegado nega acusações

Procurado pela reportagem, Wellington de Oliveira negou as acusações e afirmou que os comentários feitos em sala eram exemplos usados durante a disciplina de teoria geral da investigação criminal.

Segundo ele, os conteúdos envolvem simulações de situações reais e temas sensíveis, mas não houve assédio.

“Pode ser que algum aluno tenha se sentido ofendido com algum exemplo, mas em hipótese alguma houve assédio sexual ou moral”, declarou.

O delegado afirmou ainda que leciona a disciplina há cerca de 20 anos e que nunca houve denúncias anteriores. Ele disse que aguardará a conclusão das investigações conduzidas pela Corregedoria.

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