(Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

Justiça mantém preso acusado de operar jogo do bicho para grupo investigado na Operação Successione

A Justiça negou pedido de liberdade a Anderson Alberto Gaúna, preso em novembro de 2025 sob acusação de atuar como operador do jogo do bicho em Maracaju. Durante a ação policial, dez máquinas utilizadas na contravenção foram apreendidas na residência dele.

Segundo denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, Gaúna atuaria diretamente em favor do chamado clã Razuk, investigado por comandar a exploração ilegal de jogos no Estado.

De acordo com o processo, uma conversa recuperada em rede social reforçaria o vínculo com o grupo.

“Chama a atenção uma conversa recuperada no Facebook, datada de 28 de fevereiro de 2025, na qual Anderson Alberto Gaúna confirma que ‘tô com os Razuk ainda’, de modo a não deixar dúvidas de que ele explora a atividade do jogo do bicho em prol da organização criminosa chefiada por Roberto Razuk e seus filhos”, diz a denúncia.

O primeiro pedido de habeas corpus foi negado pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, e o caso foi distribuído ao desembargador Jonas Hass Silva Júnior, da 1ª Câmara Criminal.

Na decisão, o magistrado afirmou que condições pessoais favoráveis não são suficientes para revogar a prisão preventiva, mantendo a detenção. O mérito do habeas corpus ainda será analisado pelo colegiado.

Operação Successione investiga organização criminosa

A prisão ocorreu no contexto da quarta fase da Operação Successione, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, órgão do MPMS que investiga organização criminosa ligada ao jogo do bicho.

Na operação, foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã, além de alvos nos estados do Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

As investigações apontam que o grupo teria tentado assumir o controle do jogo do bicho após a queda da organização ligada à família Name, alvo da Operação Omertà, deflagrada em 2019.

O MPMS denunciou o deputado estadual Neno Razuk (PL), o ex-deputado Roberto Razuk e os familiares Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, apontados como integrantes da cúpula da organização.

Segundo a denúncia, o grupo seria responsável por explorar jogos ilegais, praticar lavagem de dinheiro e usar violência para manter o controle da atividade.

“A organização criminosa se mantém ativa e atuante, visando estabelecer o monopólio do jogo do bicho em Campo Grande e manter a exploração em outras cidades do Estado”, diz trecho da acusação.

Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas, e o Ministério Público pede condenação pelos crimes investigados e pagamento de R$ 36 milhões por reparação de danos, com base na Lei de Lavagem de Dinheiro.

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