A Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram, nesta quarta-feira (8), a Operação “Platinum” para desarticular um grupo criminoso especializado em contrabando e comércio ilegal de mercadorias por meio de plataformas digitais.
A investigação revelou que a organização utilizava cerca de 400 empresas registradas em nome de “laranjas” para viabilizar as atividades ilícitas. Ao todo, foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva nos estados do Paraná, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Guaíra.
Além disso, equipes realizaram fiscalizações administrativas em empresas, resultando na apreensão de produtos de origem ilegal, em uma ação integrada entre a Receita Federal e a Polícia Federal.
Segundo as autoridades, o grupo possuía uma estrutura altamente organizada, com atuação interestadual e até transnacional. A logística envolvia desde a compra de mercadorias no exterior até a comercialização em plataformas como Shopee, Mercado Livre e Magazine Luiza.
As investigações começaram em agosto de 2022, após a apreensão de produtos transportados irregularmente em três veículos que seguiam em comboio. Com o avanço das apurações, foi identificado que os próprios integrantes do esquema eram responsáveis pela venda dos itens no ambiente online.
Entre 2020 e 2024, o grupo movimentou mais de R$ 300 milhões apenas em vendas no Mercado Livre. No total, a estimativa é de que as operações tenham alcançado cerca de R$ 1 bilhão, considerando também práticas de lavagem de dinheiro.
Entre os produtos comercializados estavam eletrônicos como celulares das marcas Xiaomi, Apple e Samsung, além de discos rígidos, robôs aspiradores, equipamentos Starlink, ar-condicionado portátil, perfumes e insumos para impressoras.
O esquema contava com divisão de funções entre os integrantes. Havia grupos responsáveis pelo transporte — com motoristas, batedores e olheiros —, pela compra no Paraguai e pela gestão das vendas online. Também foram identificadas empresas usadas exclusivamente para emissão de notas fiscais falsas, com o objetivo de dar aparência de legalidade aos produtos contrabandeados.
De acordo com a Polícia Federal, alguns envolvidos ainda atuavam nas redes sociais como supostos especialistas em e-commerce, oferecendo cursos e mentorias para reforçar a credibilidade do esquema criminoso.
As investigações seguem em andamento para identificar outros participantes e aprofundar a apuração sobre a estrutura financeira da organização.
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