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Relatório aponta nova estrutura do PCC com 16 integrantes na cúpula e investigações por lavagem bilionária

Um relatório atualizado da inteligência da Polícia Civil de São Paulo aponta que o Primeiro Comando da Capital (PCC) passou por uma reorganização interna e atualmente possui uma cúpula formada por 16 integrantes responsáveis pelas principais decisões estratégicas da organização criminosa.

De acordo com o levantamento, a facção conta com 89 líderes distribuídos em diferentes funções dentro de 14 setores conhecidos como “sintonias”. Desse total, 52 integrantes estão presos e 36 permanecem em liberdade.

O relatório também menciona o empresário Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, investigado por fraudes bilionárias no mercado de combustíveis e apontado como um dos principais operadores financeiros do esquema. Ele está foragido da Justiça e nega qualquer ligação com a facção criminosa.

Entre os nomes citados na investigação também aparece o irmão de Mohamad, Armando Hussein Ali Mourad, indicado como presidente de empresas ligadas ao grupo investigado no município de Iguatemi.

Nova estrutura da facção

Segundo o documento, o PCC mantém como líder máximo o criminoso Marcos Herbas Camacho, conhecido como Marcola, preso desde 1999 e atualmente custodiado no sistema penitenciário federal de segurança máxima desde 2019.

A nova estrutura organizacional inclui setores como:

  • Sintonia Final

  • Sintonia Final do Sistema

  • Sintonia Restrita

  • Sintonia Final de Rua

  • Sintonia Final dos Estados e Países

  • Sintonia do Progresso

  • Setor da Padaria

  • Sintonia Interna

  • Sintonia da Internet e Redes Sociais

  • Setor do Raio-X

  • Sintonia Final da Baixada

  • Sintonia dos Gravatas

  • Quadro dos 14

  • FM-BX

Entre os setores destacados está o Setor do Raio-X, que funciona como uma espécie de corregedoria da facção, responsável por fiscalizar o cumprimento de regras internas. O grupo seria comandado por Gratuliano de Souza Lira.

Já a Sintonia da Internet e Redes Sociais coordena as comunicações digitais da organização, sendo liderada por André Luiz de Souza e Eduardo Fernandes Dias, ambos presos.

O relatório também menciona integrantes classificados como “decretados”, ou seja, ex-líderes expulsos da organização e atualmente ameaçados de morte pela própria facção. Entre eles estão Abel Pacheco de Andrade e Wanderson Nilton de Paula Lima.

Operação investiga lavagem bilionária

As informações fazem parte de investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo dentro da chamada Operação Carbono Oculto, que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado à adulteração de combustíveis, fraudes fiscais e manipulação de preços.

Segundo as autoridades, o grupo investigado teria causado prejuízo estimado em R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais.

O relatório aponta que Mohamad Hussein Mourad seria o epicentro das operações financeiras do esquema, utilizando uma rede formada por familiares, sócios e empresas para movimentar recursos e realizar lavagem de capitais.

Entre os integrantes citados na investigação estão:

  • Ricardo Romano, apontado como figura-chave em operações financeiras do grupo;

  • Sergio Luiz Freitas da Silva, que teria atuado na blindagem patrimonial da organização;

  • Himad Abdallah Mourad, responsável por estruturar empresas e fundos para ocultação de patrimônio.

Produtor musical de Campo Grande citado em investigação

A investigação também menciona o produtor musical campo-grandense Ivan Carlos Miyazato, que foi alvo de medidas na operação.

Miyazato é conhecido no meio artístico por trabalhos com cantores como Gusttavo Lima, Luan Santana e Zé Neto & Cristiano.

Segundo as apurações, ele teria ligação empresarial com Jonas Silva Corrêa, apontado como integrante do PCC. Ambos aparecem como sócios nas empresas Miyazato Music Produções S/A e Hiperhit Produções S/A — Jonas como diretor e Ivan como presidente.

Em nota, a defesa do produtor afirmou que já tinha conhecimento das investigações e declarou que não há provas de ligação com a facção criminosa. Ainda segundo a defesa, as receitas das empresas são provenientes de serviços lícitos devidamente comprovados.

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