A Dourados inicia na próxima segunda-feira (27) a campanha de vacinação contra a Chikungunya, em meio ao avanço da doença no município, que já registra oito mortes confirmadas. A ação é coordenada pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pela prefeitura para enfrentar a epidemia tanto na Reserva Indígena quanto na área urbana.
A vacinação faz parte de um plano estratégico com medidas para conter a disseminação do vírus. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a imunização seguirá critérios definidos pelo Ministério da Saúde, o que limita o público apto a receber a dose devido a contraindicações.
O primeiro lote de vacinas chegou ao município na última sexta-feira (17). Antes do início da campanha, profissionais de saúde passarão por capacitação nos dias 22 e 23 de abril, com foco na orientação da população, identificação de comorbidades e aplicação correta do imunizante. A distribuição das doses para as unidades de saúde está prevista para sexta-feira (24).
A vacina será destinada a pessoas entre 18 e 59 anos, com meta de atingir cerca de 43 mil moradores, o equivalente a 27% desse público. O imunizante foi desenvolvido pela farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan, com o objetivo de prevenir a infecção pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.
A aprovação foi concedida pela Anvisa em abril de 2025, e o uso inicial será estratégico em regiões com maior risco de transmissão.
Dados epidemiológicos apontam que o município contabiliza 4.972 casos prováveis da doença, sendo 2.074 confirmados, 1.212 descartados e 2.900 ainda em investigação. Das oito mortes registradas, sete ocorreram entre moradores da Reserva Indígena.
Estudos clínicos indicam que o imunizante apresenta alta eficácia, com cerca de 99% dos voluntários desenvolvendo anticorpos neutralizantes, além de boa tolerância, com efeitos adversos geralmente leves a moderados.
Apesar disso, há contraindicações. A vacina não é indicada para gestantes, lactantes, imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados recentes, pessoas com HIV/Aids e portadores de doenças autoimunes, entre outros grupos. Também devem adiar a vacinação pessoas com febre ou que tenham contraído a doença recentemente.
Sem tratamento antiviral específico, a Chikungunya é tratada com medidas de suporte, como uso de antitérmicos, hidratação e repouso. Autoridades reforçam a importância de procurar atendimento médico ao surgirem sintomas como febre alta e dores intensas nas articulações.
A campanha também será acompanhada por estudos do Instituto Butantan para avaliar a efetividade da vacina em condições reais, além do monitoramento da segurança após a aplicação.
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