A Hantavirose voltou a chamar atenção após um surto identificado em um navio de cruzeiro que partiu da Argentina. Em maio, casos da doença também começaram a ser confirmados no Brasil, especialmente na região Sul do país.
Transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas provenientes de fezes, urina e saliva de roedores silvestres infectados, a doença ainda é pouco conhecida por grande parte da população, o que tem levantado dúvidas sobre sintomas, formas de transmissão e tratamento.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, os sintomas iniciais da hantavirose costumam ser inespecíficos e podem incluir febre, dores musculares, dor na região dorsolombar, dor abdominal, cansaço intenso, forte dor de cabeça e alterações gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia.
Esse primeiro estágio da doença pode durar de um a seis dias, chegando, em alguns casos, a duas semanas antes de uma melhora temporária.
Tosse seca e falta de ar são sinais de alerta
Outro sintoma importante é o aparecimento de tosse seca, que pode indicar evolução para uma forma mais grave da doença.
Nesses casos, pode ocorrer comprometimento cardiopulmonar, com aumento da frequência cardíaca, dificuldade respiratória e redução da oxigenação do sangue.
O quadro pode evoluir rapidamente para acúmulo de líquido nos pulmões, queda de pressão arterial e comprometimento da circulação, exigindo atendimento médico imediato.
Em alguns pacientes, também pode haver comprometimento renal, geralmente leve ou moderado. Essa é considerada a fase mais crítica da doença, devido ao risco elevado de agravamento rápido e óbito.
Tratamento é de suporte clínico
Atualmente, não existem antivirais específicos para o tratamento da hantavirose.
Por isso, todo paciente com suspeita de síndrome cardiopulmonar por hantavírus deve ser encaminhado com urgência para uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
O tratamento é baseado em suporte clínico, com medidas voltadas ao controle dos sintomas e à prevenção de complicações. Entre os procedimentos que podem ser necessários estão suporte respiratório com oxigênio, hemodiálise e estabilização de quadros de choque.
Como prevenir a hantavirose
De acordo com o Ministério da Saúde, a prevenção está diretamente relacionada ao controle do contato com roedores.
A recomendação é evitar acúmulo de lixo, entulhos e restos de alimentos que possam servir de abrigo ou alimento para esses animais.
Também é importante armazenar alimentos, rações e grãos em recipientes fechados e protegidos contra roedores.
Na limpeza de ambientes potencialmente contaminados, a orientação é ventilar o local por pelo menos 30 minutos antes de iniciar a higienização.
O ministério alerta que não se deve varrer locais com presença de fezes secas de roedores, para evitar a dispersão de partículas contaminadas no ar. O ideal é utilizar pano úmido com detergente ou solução desinfetante à base de hipoclorito.
Em situações de risco ocupacional ou durante investigações ambientais, o uso de equipamentos de proteção individual, como luvas, avental e óculos de proteção, é considerado indispensável.
Há transmissão entre pessoas?
Em nota, o Ministério da Saúde informou que o surto registrado em um navio de cruzeiro não representa risco ao Brasil neste momento.
O órgão esclareceu ainda que não há registro da circulação do genótipo Andes no país, variante associada a raros casos de transmissão entre pessoas na Argentina e no Chile.
Segundo o ministério, os casos confirmados no Brasil em 2026 continuam relacionados a variantes de Orthohantavirus presentes em roedores silvestres, sem indícios de transmissão interpessoal.